Ícone do site Tribuna de Minas

Vacinação contra gripe avança, mas alcança só 1/4 da população

Foto UPA SAO PEDRO Felipe Couri
PUBLICIDADE

A vacinação contra a gripe em Juiz de Fora registrou aumento de 31,5% no número de doses aplicadas entre abril e junho de 2025, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do avanço, apenas um quarto da população da cidade foi imunizada até o momento.

A campanha teve início em 7 de abril, voltada inicialmente a grupos prioritários. Em 30 de abril, 23 dias após o início, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) ampliou a vacinação para toda a população. Segundo a PJF, foram aplicadas 138.419 doses em 2025. No ano anterior, até a presente data, foram registradas 105.193 aplicações. O balanço vale até o dia 7 deste mês. Em 2024, a campanha começou mais cedo, no dia 25 de março, mas a ampliação do público-alvo ocorreu 44 dias depois, em 8 de maio.

PUBLICIDADE

Apesar de o aumento nas aplicações ser um indicativo positivo, o infectologista Marcos Moura pondera que esse avanço é relativo a um contexto de agravamento epidemiológico. “ O que vínhamos observando ao longo dos anos era uma redução nas taxas de vacinação, resultado de um movimento global antivacina, que é muito preocupante. Quando os casos de internação começaram a crescer em várias cidades do Brasil, especialmente com o aumento da síndrome respiratória aguda grave, as pessoas passaram a se vacinar — tanto pelo medo quanto pelo impacto das campanhas municipais. Ou seja, esse aumento é uma resposta tardia a esse cenário crítico.”

A taxa de vacinação, no entanto, permanece abaixo do necessário para conter a circulação viral. Conforme explica o médico, a meta ideal seria alcançar ao menos 65% da população, com foco em idosos e grupos de risco, podendo chegar a 80%. Com pouco mais de 20% de cobertura, os efeitos positivos se limitam à proteção individual, sem impacto significativo na proteção coletiva. Isso favorece a disseminação do vírus, inclusive por pessoas saudáveis que podem transmitir a infecção a indivíduos mais vulneráveis.

Moura destaca ainda que a queda na adesão é mais acentuada entre jovens e adultos economicamente ativos, que geralmente não desenvolvem formas graves da gripe. Para ele, a baixa percepção de risco leva muitos a negligenciarem a imunização, o que amplia o potencial de transmissão. “A gripe passa a ser considerada de pouca relevância. E, muitas vezes, a pessoa não vai ter doença grave, mas, ao se vacinar, ela evitaria a transmissão para uma pessoa vulnerável.”

Por outro lado, crianças, idosos e gestantes seguem como os grupos com maior adesão, influenciados pelo acompanhamento médico mais frequente.

PUBLICIDADE

Casos de síndrome respiratória aumentam

O SUS oferece tratamento gratuito à pacientes com SRAG. (Foto: Felipe Couri)

Mesmo com o crescimento da vacinação, o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) aumentou 33,68% em Juiz de Fora no período, em comparação ao ano anterior.

De acordo com o infectologista, a SRAG é uma complicação de infecções virais que se inicia, em muitos casos, a partir de quadros gripais leves. Esses quadros incluem sintomas como febre, mal-estar, coriza e tosse, mas podem evoluir para formas mais graves, com necessidade de suporte de oxigênio e internação. A síndrome pode ser provocada por diferentes tipos de vírus, como o vírus sincicial respiratório, o coronavírus (Covid-19), o Influenza e o rinovírus, entre outros.

PUBLICIDADE

Os casos mais graves da síndrome respiratória afetam principalmente idosos, crianças, gestantes e pessoas com comorbidades, como obesidade, doenças respiratórias crônicas e problemas cardíacos. Nesses grupos, há maior risco de evolução para quadros críticos e óbitos.

Para essas populações, há tratamento disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que apresenta melhores resultados quando iniciado precocemente — tanto para a Influenza quanto para a Covid-19.

O médico explica que a elevação dos casos está diretamente relacionada à baixa cobertura vacinal. “A redução da vacinação é proporcional ao aumento de casos graves. A doença alcança um número maior de pessoas, e, quando chega em grupos mais vulneráveis, tende a complicar. Por isso é fundamental ampliar a cobertura. Como a vacina não é plenamente eficaz em grupos vulneráveis, a estratégia precisa ser populacional: quanto mais pessoas vacinadas, menor a circulação viral. Assim, mesmo quem tem risco elevado fica mais protegido.”

PUBLICIDADE

*estagiária sob supervisão da editora Fabíola Costa 

 

Sair da versão mobile