Um projeto desenvolvido pela Universidade Federal de Goiás (UFG) reduziu em 50% os diagnósticos de câncer de mama em estágio avançado no município de Itaberaí (GO). A iniciativa, implementada em 2022 como projeto-piloto, capacitou agentes comunitárias de saúde para orientar e realizar rastreamento ativo durante visitas domiciliares, incentivando mulheres com mais de 40 anos a realizar exames preventivos.
Metade das pacientes visitadas recebeu, com consentimento, exame clínico das mamas feito pelas agentes, treinadas para identificar alterações palpáveis. Entre essas mulheres, 70% dos casos de câncer foram diagnosticados nos estágios iniciais (um ou dois). No grupo que recebeu apenas orientações, o índice foi de 30%.
Ao todo, mais de 3 mil mulheres participaram da pesquisa. Quinze receberam diagnóstico de câncer de mama — dez no grupo de intervenção direta e cinco no grupo de controle. “Esperávamos reduzir em 20% os diagnósticos tardios, mas alcançamos 50% em pouco tempo”, afirma o mastologista Ruffo de Freitas Júnior, coordenador do estudo. Os resultados iniciais foram apresentados no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), realizado em junho de 2025, nos Estados Unidos.
O oncologista Diogo Sales, do Hospital Israelita Albert Einstein, em Goiânia, avalia que a estratégia fortalece o diagnóstico precoce. “O número de casos ainda é pequeno, mas a atuação de profissionais treinadas de forma mais ostensiva mostrou resultados importantes”, diz.
Prevenção e detecção precoce
Casos diagnosticados no início da doença têm até 95% de chance de cura. A mamografia é o exame mais indicado para encontrar lesões antes de se tornarem palpáveis. Entre os sinais de alerta em estágios mais avançados estão nódulos, alterações na pele ou no formato das mamas, retração do mamilo e secreção.
Segundo Freitas Júnior, as visitas domiciliares também resultaram em maior procura espontânea por exames. “As pacientes não se sentiram invadidas, mas apoiadas. A taxa de realização de mamografias no município subiu de 4% para 30%”, afirma.
O Ministério da Saúde recomenda que mulheres façam mamografia a cada dois anos a partir dos 50 anos, ou antes, se houver indicação médica. Algumas sociedades médicas e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), desde julho, sugerem iniciar o rastreamento aos 40 anos.
Continuidade do estudo
A pesquisa seguirá pelos próximos anos para avaliar o impacto do diagnóstico precoce na mortalidade e no início do tratamento dentro do prazo legal de 60 dias. Há planos para replicar o modelo em Paragominas (PA), Araguaína (TO), Macapá e Petrópolis (RJ).
Para as equipes envolvidas, a capacitação trouxe mudanças positivas. A agente de saúde Valdirene Mendonça Gonçalves Pereira, de 54 anos, destaca que a segurança para orientar as pacientes ajudou a aumentar a adesão. “Muitas vezes, o que impede o exame é o medo. Saber que contribuí para salvar vidas é motivo de orgulho”, afirma.
*Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe

