
Ter a oportunidade de trabalhar representa muito mais do que ocupar uma vaga. Para muitas pessoas com deficiência, significa conquistar autonomia, ampliar relações, desenvolver habilidades e, principalmente, ter suas competências reconhecidas para além da deficiência.
É a partir desse olhar que a Ansal desenvolveu o programa Inclusão em Ação, criado para aproximar pessoas com deficiência do mercado de trabalho, ampliar oportunidades profissionais e fortalecer uma cultura de inclusão dentro da empresa. A iniciativa também mantém ativo um banco de talentos, que permite o cadastramento de currículos para futuras oportunidades.
Os números ajudam a mostrar a importância desse movimento. Dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE em 2025, apontam que 7,3% da população de Minas Gerais com 2 anos ou mais de idade tem alguma deficiência. Quando o assunto é trabalho, os desafios permanecem expressivos: em 2022, apenas 27,8% das pessoas com deficiência de 14 anos ou mais estavam na força de trabalho em Minas Gerais, contra 69% entre as pessoas sem deficiência. A taxa de desocupação também era maior: 8,5%, ante 6,2%.
Por trás das estatísticas, entretanto, existem histórias de pessoas que encontraram no trabalho uma oportunidade para transformar suas próprias trajetórias.
Inclusão é superar inseguranças
Aos 48 anos, Gilberto Marques, que possui paralisia obstétrica, acumula 22 anos de experiência no transporte coletivo. Seu primeiro trabalho com carteira assinada foi justamente no setor, em 2001, na Viação Santa Luzia. Encaminhado para oportunidade pela Prefeitura de Juiz de Fora, começou como cobrador e encontrou no atendimento ao público uma área com a qual se identificava.
Hoje, Gilberto trabalha como porteiro na Astransp. Para ele, a experiência profissional foi também uma forma de desenvolver habilidades que antes pareciam difíceis: “antes eu ficava nervoso e gaguejava. Com o trabalho, consegui desenvolver esse lado com o atendimento ao público”, conta.
No início da carreira como cobrador, Gilberto chegou a criar estratégias próprias para lidar com algumas dificuldades, como fazer uma “colinha” para auxiliar nos cálculos das passagens. Também contou com o apoio dos colegas para superar inseguranças relacionadas à rotina profissional.
O principal resultado, porém, foi sentido dentro de casa. “Trabalhando, consegui dar suporte financeiro para minha família, o que me deixou mais tranquilo. É uma responsabilidade que a gente carrega”, afirma.
Para ele, a inclusão profissional deve ser acompanhada de informação. “Com um emprego, o colaborador PCD vai ser desenvolvido, e isso abre campo para o mercado de trabalho como um todo”, defende.
Inclusão é reconhecer o próprio potencial
Aos 59 anos, Thirsa Bastos, que possui pé torto congênito bilateral, também encontrou no trabalho uma oportunidade de descobrir novas habilidades. Ela começou a trabalhar mais tarde, depois de dedicar parte da vida à criação da filha. Passou por uma academia e por um supermercado até chegar à Ansal, em 2022, depois de saber da oportunidade por meio de uma vizinha. Na empresa, Thirsa começou como cobradora e, posteriormente, tornou-se bilheteira na Astransp.
Para ela, a possibilidade de diálogo representa uma das faces mais importantes da inclusão: ser ouvida e ter condições para desenvolver seu trabalho.
A experiência profissional também ampliou seus conhecimentos. Curiosa, ela desenvolveu a comunicação, aprendeu mais sobre administração e melhorou sua relação com a matemática. “A visão da gente é outra, é ampliada, no geral”, relata.
Para ela, a inclusão pode ajudar a transformar a percepção que muitas pessoas com deficiência têm sobre si mesmas. “É uma oportunidade de trabalho para quem, muitas vezes, acredita que é inútil. Ela dá suporte e amplia os horizontes”, afirma.
Inclusão é trabalhar com o que gosta
Aos 39 anos, Alexandre da Silva está há quatro meses na Ansal. Pessoa com deficiência auditiva, chegou à empresa depois de ver uma oportunidade sendo divulgada pelo Instagram. Motorista, ele já havia trabalhado em diferentes funções e encontrou no transporte uma possibilidade de fazer aquilo de que gosta.
A nova experiência também trouxe mais autonomia financeira e melhores condições de remuneração. Embora já tivesse experiência como motorista, Alexandre destaca que continua buscando desenvolvimento profissional e participa de treinamentos internos, como o Rota Segura.
Ele também conhece os obstáculos que ainda existem. Já ouviu comentários preconceituosos e relata situações em que enviou currículos sem receber retorno. Para ele, um dos principais desafios está justamente em fazer com que as empresas enxerguem primeiro as habilidades do profissional: “as pessoas com deficiência também são capazes”, afirma.
Aos profissionais que ainda estão em busca de uma chance, Alexandre aconselha: “não desista dos seus sonhos. Uma hora a oportunidade aparece”.
Inclusão em Ação
As histórias de Gilberto, Thirsa e Alexandre mostram que a inclusão profissional não termina no momento da contratação. Ela passa pelo acolhimento, pela adaptação, pelo desenvolvimento e pela possibilidade de cada profissional exercer suas competências.
É essa visão que o projeto Inclusão em Ação reforça. Além de ampliar a presença de pessoas com deficiência no quadro de colaboradores, o programa busca manter uma aproximação contínua com profissionais interessados em fazer parte da empresa.
Pessoas com deficiência que desejam trabalhar na Ansal podem cadastrar seus currículos no banco de talentos do Inclusão em Ação e permanecer no radar para futuras oportunidades. O formulário pode ser acessado pelo link disponível na bio do perfil @vagasgrupocsc, no Instagram. Em caso de dúvidas, os interessados também podem entrar em contato com o RH da Ansal pelo WhatsApp (31) 99710-8946.
A proposta é aproximar quem busca uma oportunidade de quem está disposto a abrir portas para novos talentos. Porque, quando uma vaga se transforma em oportunidade, o resultado vai muito além do trabalho: pode significar autonomia, aprendizado, reconhecimento e a possibilidade de construir novos caminhos.

