
Minas Gerais alcançou a cobertura de 100% do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. O marco foi consolidado com a inauguração da Central de Regulação em Uberaba, no Triângulo do Sul, fazendo com que o Samu passasse a atender todos os 853 municípios do estado. Mais do que um indicador administrativo, a universalização representa a entrada definitiva de toda a população mineira na rede pública de resposta rápida a urgências e emergências, com acionamento pelo 192 e articulação direta com hospitais, UPAs e demais pontos assistenciais.
A ampliação do serviço também revela a dimensão do avanço recente. Em 2019, o Samu alcançava 562 municípios, o equivalente a cerca de 66% do território mineiro. Para chegar à cobertura integral, o Estado expandiu bases, estruturou centrais de regulação e firmou convênios regionais. Só em 2025, foram entregues 17 bases na macrorregião Triângulo do Sul, incorporando os 27 municípios que ainda estavam fora da rede. Nos últimos três anos, mais de R$ 85 milhões foram destinados ao fortalecimento do Samu; considerando os convênios firmados entre 2019 e 2025, o investimento supera R$ 110 milhões. Além disso, apenas em 2025, o custeio estadual do serviço passou de R$ 246 milhões.
Relevância do serviço
A estrutura hoje disponível ajuda a dimensionar a relevância do serviço. Em Minas, o Samu opera com 362 Unidades de Suporte Básico, 96 Unidades de Suporte Avançado, duas motolâncias e cinco aeronaves destinadas ao suporte aéreo avançado. O serviço é organizado a partir de centrais de regulação médica, onde profissionais classificam a gravidade da ocorrência, orientam quem faz a ligação e definem o recurso mais adequado para cada caso. Neste ano, essa estrutura ainda deverá ser reforçada com a incorporação de dois novos helicópteros.
Resposta rápida nas calamidades
É justamente em situações de calamidade que essa capilaridade ganha peso ainda maior. Na prática, a cobertura total do Samu reduz vazios assistenciais e permite que o atendimento pré-hospitalar chegue também a áreas rurais, cidades de menor porte e regiões mais distantes dos grandes centros. Em cenários de desastre, quando há múltiplas ocorrências simultâneas, interrupção de acessos, sobrecarga da rede local e necessidade de remoções rápidas, o sistema de regulação e a integração com hospitais e UPAs se tornam decisivos para estabilizar pacientes, organizar fluxos e encaminhar cada caso ao ponto de atenção mais adequado.
Os temporais que atingiram a Zona da Mata no fim de fevereiro ajudaram a expor de maneira concreta essa importância. Em resposta às chuvas, o Governo de Minas passou a atuar de forma integrada em municípios como Juiz de Fora, Ubá, Matias Barbosa e Cataguases. Na área da saúde, foram instaladas Salas de Situação nas regionais de Juiz de Fora e Ubá para monitoramento e resposta emergencial. Em paralelo, o Estado anunciou R$ 48,2 milhões para reforçar a assistência à saúde dos municípios afetados. No campo operacional, Cataguases e Matias Barbosa também receberam reforços para atendimento a situações emergenciais.
Presença distribuída
Na macrorregião Sudeste e Leste do Sul, onde estão esses municípios, essa presença já aparece distribuída no território por meio do CISDESTE, consórcio que reúne 147 municípios. Juiz de Fora conta com seis Unidades de Suporte Básico e duas de Suporte Avançado; Ubá dispõe de uma USB e uma USA; Cataguases tem uma USB; e Matias Barbosa, uma USB. Esse desenho local reforça a lógica da cobertura plena: não se trata apenas de alcançar 100% no mapa estadual, mas de manter bases e recursos capazes de responder regionalmente quando a pressão sobre a rede aumenta.
Cobertura 100%
Com a cobertura integral do Samu, Minas fecha uma lacuna histórica no atendimento pré-hospitalar e fortalece uma das engrenagens mais sensíveis da saúde pública. Em dias de rotina, isso significa mais chance de resposta rápida em casos de infarto, AVC, trauma, urgências obstétricas e intercorrências graves. Em dias de exceção, como os vividos recentemente na Zona da Mata, significa ter uma rede preparada para agir quando o tempo e a organização do socorro fazem toda a diferença.
