
Há mais de quatro décadas presente em Juiz de Fora, a Nexa Resources vem posicionando a cidade como um dos principais pólos de reciclagem industrial da América Latina. A unidade de polimetálicos da companhia é atualmente a maior planta de reciclagem de zinco da América do Sul e a única capaz de reprocessar resíduos provenientes da siderurgia elétrica, transformando passivos ambientais em matéria-prima estratégica para a indústria.
Desde 2012, mais de 1 milhão de toneladas de Pó de Aciaria Elétrica (PAE) já foram recicladas na unidade juiz-forana. O volume corresponde a 198,3 mil toneladas de zinco contido processadas, demonstrando o potencial da reciclagem industrial como alternativa sustentável para o aproveitamento de recursos.
Até poucos anos atrás, esse tipo de resíduo era destinado a aterros industriais. Hoje, graças à tecnologia do forno rotativo Waelz — utilizada pela Nexa de forma pioneira no Brasil — o material passa por um processo que permite a recuperação do zinco e seu retorno à cadeia produtiva.
“Este tipo de resíduo se tratava de um grande desafio ambiental para o setor siderúrgico. Com o nosso processo, felizmente, conseguimos solucionar esta questão e demonstrar, na prática, uma verdadeira mudança de paradigma na indústria, evidenciando um ciclo de economia circular”, explica o gerente industrial da unidade da Nexa, em Juiz de Fora, Rafael Falco.
Tecnologia que transforma resíduos em novos recursos
O processo começa com o recebimento do Pó de Aciaria Elétrica e de outros materiais contendo zinco. Após serem preparados, os resíduos são encaminhados para o forno Waelz, uma estrutura rotativa de aproximadamente 70 metros de comprimento, onde são submetidos a altas temperaturas.
Durante o tratamento térmico, o zinco é recuperado na forma de óxido Waelz, que posteriormente é utilizado na produção de zinco metálico em lingotes — blocos de metal fundido e solidificado —, principal produto fabricado pela unidade. Já os materiais remanescentes podem ser reaproveitados pela indústria do aço, reduzindo a necessidade de extração de recursos naturais.
Para se ter uma ideia, a quantidade de zinco secundário processada pela unidade seria suficiente para fabricar cerca de 9,9 milhões de carros, considerando que um automóvel médio utiliza cerca de 20 quilos de zinco em sua produção, ou mais de 2,4 milhões de quilômetros de arame galvanizado — distância equivalente a aproximadamente 61 voltas ao redor da Terra.
Pilhas usadas também ganham destino sustentável
Além dos resíduos siderúrgicos, o processo de reciclagem da Nexa também recebe pilhas descartadas pela população. Em parceria com a Green Eletron, entidade gestora sem fins lucrativos ligada à Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), a companhia processa cerca de 150 toneladas de pilhas por ano.
De acordo com dados da Abinee, o consumo anual de pilhas no Brasil é de aproximadamente 1 bilhão de unidades, o que equivale a cerca de 20.000 toneladas por ano. Portanto, a quantidade reciclada pela Nexa representa quase 1% da geração brasileira anual.
As pilhas velhas de aparelhos domésticos alimentam o forno Waelz. Esse trabalho contribui para o descarte ambientalmente adequado desses materiais e reforça o papel da empresa na promoção da logística reversa.
Atualmente, a empresa não conta com parcerias formais com cooperativas de catadores, porém, têm sido estudadas iniciativas para envolver organizações locais na coleta seletiva, ampliando o impacto social do projeto. Apesar disso, a Nexa garante que a operação contribui indiretamente para a empregabilidade na região, assegurando a viabilidade econômica da unidade por meio da reciclagem.
Sustentabilidade com resultados concretos
Ao recuperar metais presentes nos resíduos industriais, a Nexa reduz a necessidade de mineração primária, diminui o volume destinado a aterros e fortalece o conceito de economia circular.
A operação conta ainda com sistemas de monitoramento contínuo dos processos produtivos e controles ambientais, incluindo acompanhamento das emissões atmosféricas e auditorias realizadas por órgãos competentes.
“A reciclagem que é feita em Juiz de Fora vai além do cumprimento legal: é o nosso compromisso com a inovação para gerar valor compartilhado. Cada tonelada de resíduo processado significa menos impacto ambiental e mais competitividade para a indústria nacional”, reforça o gerente geral da unidade, Guilherme Armond, ressaltando a conexão do projeto com os pilares de Environmental, Social and Governance (ESG), Ambiental, Social e Governança, em português.
Sobre a Nexa
A Nexa Resources atua há mais de 65 anos nos segmentos de mineração e metalurgia e está presente em diversos países. Em Juiz de Fora, a empresa mantém operações desde 1980, empregando cerca de mil profissionais entre colaboradores próprios e terceirizados.
Reconhecida como uma das maiores produtoras de zinco do mundo, a companhia tem investido em inovação, sustentabilidade e desenvolvimento industrial, reforçando o papel da cidade como referência nacional em reciclagem de resíduos e economia circular.
