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Procopão: 90 anos de uma deliciosa história

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Bem ali, às margens da linha férrea que levava viajantes que iam de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro, é que começa a história do Bar Mariano Procópio, o Procopão. Era 1929, um ano emblemático para todo o mundo, mas que ficou marcado em Juiz de Fora pela presença maciça de imigrantes estrangeiros, como os italianos, que fundaram o estabelecimento, hoje, um dos mais antigos do país e, atualmente, administrado por descendentes de portugueses. O bar, que no passado era ponto de parada obrigatório para um lanche saboroso no meio da viagem, segue até hoje – aos seus 90 anos – conquistando clientes pela curiosidade e pelo estômago, afinal, o Procopão não abre mão do sabor, da fartura e do toque de personalidade dado aos seus pratos, fatores que despertam nas pessoas a vontade de desbravar as delícias da culinária mineira.

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Bárbara e os pais, Sérgio e Maria Cristina, comandam o bar mais antigo de Juiz de Fora (Foto: Fernando Priamo)

O segredo para chegar a nove décadas sem nunca ter mudado de endereço ou fechado as portas é, segundo o atual proprietário do Procopão, Sérgio de Almeida Alves, não se acomodar. “Não dá para ficar estagnado, temos que nos reinventar. Por exemplo, pegar aquele prato que já é um sucesso e dar aquela pitadinha para que ele fique ainda melhor. Gosto de dizer que, antes do cliente enjoar do buteco, a gente tem que mudar o buteco para o cliente sempre se deparar com novidades e nunca deixar de frequentar”, revela. Sua esposa, e também gestora do negócio, Maria Cristina Resende Alves, acrescenta ao sucesso do Procopão uma receita infalível: gostar do que se faz. “Quando a gente gosta de cozinhar e trabalha com alegria e felicidade, não é sacrifício nenhum. Isso nos motiva a inventar coisas diferentes. Mas também é preciso ter conhecimento. Os cursos que fizemos no Sebrae nos ajudaram a profissionalizar o nosso negócio, criando a ficha técnica de cada prato, para que eles sempre sejam feitos dentro do padrão”, aponta.

O Procopão se tornou uma empresa familiar quando mudou de nacionalidade, em 1955, ao ser comprado por um jovem casal de portugueses, Antônio e Albertina Alves. Desde então, são 64 anos que a família está à frente do negócio. Agora, Sérgio e Maria Cristina preparam a filha, Bárbara Resende Alves Dominato, para assumir a próxima geração. “Vejo essa parceria com os meus pais como um complemento de gerações. Eles têm muita bagagem e experiência e isso para mim é ótimo, pois ainda sou muito nova e tenho muito o que aprender. Em contrapartida, contribuo com as coisas novas que surgem no mercado, como as mídias sociais. Essa troca diária com eles é muito importante”, conta ela.

“Somos a família Procopão”, diz Bárbara sobre os funcionários que contribuem para o sucesso do bar

O espírito de família também é sentido entre os 20 funcionários, que se dividem entre a produção e o atendimento. “Falamos que somos a família Procopão, pois passamos mais tempo aqui do que em casa. É uma parceria de longa data e com pessoas que realmente conhecem o Procopão e trabalham conosco há muito tempo. Temos muito carinho por nossa equipe”, comenta Bárbara.

Prato em homenagem ao aniversário do bar

Quem aprecia a culinária portuguesa sabe que a maior característica dos pratos é a fartura. Agora, imagina aliar este conceito às delícias mineiras e a ousadia? Foram esses fatores que criaram a identidade do Procopão. “Meus pais eram portugueses e minha mãe tinha esse costume de mesa farta e, por ter tocado o bar durante um bom tempo, os pratos sempre foram bem fartos. Quando passamos a tomar conta do bar, pegamos essa herança portuguesa e enveredamos para a melhor cozinha que existe: a mineira. Também tivemos a audácia de dar nomes aos pratos, ou seja, eles passaram a ter personalidade. Em nosso cardápio temos o cuidado de descrever cada preparação em uma linguagem que aguce a curiosidade e o paladar do cliente”, destaca Sérgio.

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Prato “Vovó Maluca”: medalhas de filé mignon, com molho especial da vovó (Foto: Divulgação)

Um ótimo exemplo é o prato lançado em comemoração aos 90 anos da casa, o “Vovó Maluca”. Ele é composto por medalhas de filé mignon, recobertas com molho especial da Vovó e tricô de parmesão crocante. Como acompanhamento, arroz maluco e bolinhas de gude de batatas noisettes.

Essa preocupação em criar coisas diferentes e, ao mesmo tempo chamar atenção das pessoas, segundo Bárbara, surgiu nos anos 2000, com a realização da primeira edição do JF Sabor. “Quando criamos o “Escondidinho Mineiro”, com carne seca, vimos que ele mudou completamente a cara do bar. Para a segunda edição, apresentamos o “Jabá de Jagunço”, que era um prato com alma, criativo, que instigou os clientes a descobrirem como ele era. Percebemos ali que este era o nosso caminho”, comenta.

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Depois do “Jabá” vieram outros sucessos, como o “Galo de Espora”, o “Mineirinho Come Quieto” e o “Boi de Jaleco”. Já a partir de 2008, o cardápio do Procopão passou por algumas mudanças, e os pratos, que antes eram focados apenas em uma porção simples, ganharam acompanhamentos com as opções de arroz e batata, por exemplo. Nesta época, o bar funcionava apenas à noite, mas, diante de uma lacuna que existia na cidade para o almoço de domingo, o Procopão passou a abrir mais cedo. “Foi aí que aproveitamos a oportunidade e hoje é o dia de nosso maior movimento”, explica Bárbara.

Linha de cervejas especiais

Para celebrar as nove décadas de uma deliciosa história, o Procopão lançou uma linha de cervejas especiais. São quatro rótulos: Mineirinha, Jagunça, Bandida e a Comemorativa aos 90 anos. “Lançar uma cerveja própria sempre foi um desejo de longa data, pois o Procopão já tem a tradição de vender cervejas especiais. Inclusive, vendemos mais cervejas especiais do que as tradicionais. Por isso, buscamos uma parceria com o Mr. Tugas, que desenvolveu as nossas receitas. Esses quatro rótulos chegam para somar aos 36 que possuímos em nossa carta, totalizando 40 tipos. Todos eles fazem parte do nosso “Clube do Cervejeiro”. Atualmente, temos 3.300 associados”, explica Bárbara.

Conhecido por oferecer aos clientes cervejas especiais, o Procopão acaba de lançar seus próprios rótulos (Foto: Fernando Priamo)

A Mineirinha, uma pilsen, é a cara do Procopão. É mais leve e com baixo teor alcoólico. O nome foi inspirado não só na culinária mineira como também no prato “Mineirinho Come Quieto”. Já a Jagunça, uma Red, faz alusão ao prato “Jabá de Jagunço”, um dos mais pedidos pelos clientes. O nome também tem inspiração no Nordeste, na figura da jagunça, que é encorpada, guerreira e forte, características deste estilo de cerveja. A Bandida, uma Ipa, é capaz de derrubar a sobriedade de quem a bebe, devido a alta graduação alcoólica. Por fim, a Comemorativa dos 90 anos é uma Apa, de estilo mais frutado e espumosa, bem semelhante a um champagne, pois a data merece!

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9 curiosidades sobre o Procopão 

Jabá de Jagunço (Foto: Divulgação)
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Endereço:
Rua Mariano Procópio, 1.115, Mariano Procópio

Funcionamento:
Terça a sexta, a partir das 17h
Sábados, domingos e feriados, a partir das 12h

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Contato:
3233-2000
99922-0022

https://procopao.com.br/
bar@procopao.com.br

Redes sociais:
Facebook: /Procopao
Instagram: @pro_copao

 

 

 

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