Com o aumento das temperaturas, os juiz-foranos buscam alternativas para amenizar o calor no dia a dia. Entre as opções mais saborosas estão os picolés — além de refrescantes, eles oferecem uma variedade de sabores capaz de agradar a diferentes paladares. Em Juiz de Fora, a produção local se destaca pela criatividade no preparo, com combinações que vão além das opções tradicionais encontradas nas grandes marcas. Frutas, ingredientes regionais e receitas diferenciadas dão origem a produtos que chamam a atenção pelo frescor e até pelos preços populares.
Picolé do Amado
A história do Picolé do Amado já é antiga — começou em 1965, em São João del Rei, quando Amado José Vieira consertou uma máquina de fazer esse tipo de sorvete. HHoje, os picolés criados por ele, que se tornaram um legado familiar, são uma das atrações turísticas da cidade, além de terem chegado a outros municípios mineiros, como Tiradentes, Belo Horizonte e Juiz de Fora (com loja localizada no Bairro São Mateus). O diferencial está no uso de frutas de verdade e na preservação do sabor artesanal que, desde o princípio, atrai fregueses.
Nos anos 1960, Amado tinha um bar na estação de trem da cidade, onde vendia café e quitutes para os passageiros. Mas, com a diminuição das estradas de ferro, precisou fechar o negócio e partiu para outra empreitada: uma loja de aluguel de bicicletas. Lá, ele também fazia reparos diversos, devido à “mão boa” que tinha, como conta sua neta, Fernanda Vieira, que hoje é uma das pessoas responsáveis por manter o legado. Foi durante um desses reparos que Amado decidiu testar uma receita de picolé de coco, aproveitando a experiência que já tinha no preparo de cocadas. Ele distribuiu os picolés entre familiares e clientes da loja, que logo voltaram querendo mais.
Desde então, foram várias gerações da família envolvidas com o negócio. “É um legado que eu carrego com muita honra. Na nossa cidade, virou um ponto turístico. Quando vem um visitante, levam no Picolé do Amado”, conta Fernanda. Com a chegada do Picolé do Amado a Tiradentes, cidade histórica que recebe visitantes de todo o país, Fernanda percebeu que o negócio se expandiu, já que quem provava o picolé pedia para que chegasse cada vez mais longe. Como é um produto natural, no entanto, há dificuldades para ampliar mantendo o mesmo padrão de qualidade. “Compramos, limpamos, descascamos e fazemos o picolé. Tentamos manter a receita como ele fazia, o mais próximo possível, porque era outra época”, diz ela.
Entre as cidades onde a marca está presente, a preferência dos consumidores varia conforme o sabor. Entre os sabores, estão alguns clássicos, como coco especial, doce de leite e abacate. Em Juiz de Fora, a representante da unidade do Picolé do Amado, Sheila Giarola, conta que, além dos sabores tradicionais, os de chocolate com pedaços de amendoim, frutas vermelhas, pistache e manga com laranja também estão entre os mais vendidos. Além disso, ela conta que as vendas também acontecem por delivery, com entrega dos picolés no isopor, e que o picolé também pode ser encomendado para eventos.
Picolés da Dom Veranno
Picolés de abóbora com coco, abacate e banana com canela são apenas alguns dos sabores inusitados produzidos por Amanda Oliveira, proprietária da Dom Veranno, loja de sorvetes e picolés que funciona na Avenida Presidente Itamar Franco e que ganhou as redes pelas combinações. “Nosso cardápio é bem variado. Fugimos um pouco do tradicional e ampliamos nossa linha. A gente trouxe um pouquinho da criatividade também. Trabalhamos com mais de 30 sabores no momento”, conta.
Outro atrativo da loja é o preço popular: cada picolé é vendido por R$ 2. Há, ainda, promoções para compras acima de 60 unidades. Nesses casos, o preço de cada picolé cai para R$ 1,40, ou R$ 1,45 para pagamentos com cartão. “É um preço bem bacana. Temos muitos clientes que compram até para revender nos seus estabelecimentos. Ou mesmo para consumir em grande quantidade, como em festas, por exemplo.”
A Dom Veranno também produz picolés mais “elaborados”, nas palavras de Amanda. “Com casquinha de chocolate, de forma artesanal. Temos as paletas recheadas e os sorvetes artesanais – inclusive no sabor de abóbora com coco.” Recentemente, a variedade de sabores e os preços populares têm atraído a atenção dos consumidores. Como consequência, as vendas na loja aumentaram.
“A procura do abóbora com coco explodiu. Impulsionou até a linha tradicional, que são os de coco, leite condensado, milho verde e outros. Mas o pessoal está focando agora na linha que é diferente, esses sabores mais exóticos e criativos também.”

