
A ciência já comprovou que a convivência com os animais traz inúmeros benefícios físicos e psicológicos para os tutores, independente da idade ou do tempo vivido com o animal. Se este laço for criado desde a primeira infância, a tendência é que os benefícios só aumentem e sejam observados durante toda a vida.
Auxiliar na criação de um pet faz com que o processo de desenvolvimento da própria criança esteja em sintonia com o ato de cuidado e responsabilidade sobre si mesma e o próximo. É o que explica a psicóloga Laiane de Oliveira, especialista em Terapia Cognitiva-Comportamental (TCC).
Sentimentos de empatia e responsabilidade
Laiane explica que, do ponto de vista psicológico, o laço entre crianças e animais beneficia o socioemocional de meninos e meninas, estimulando os sentimentos de empatia e responsabilidade e auxiliando no desenvolvimento de habilidades sociais.
A psicóloga relata que o ganho é observado nos métodos aplicados na TCC, que segue a linha de valorização de experiências positivas como moldadoras de pensamentos e comportamentos saudáveis: “Conviver com um animal ensina a criança a reconhecer e cuidar das necessidades de outro ser vivo.”
Para o animal, explica, essa convivência oferece companhia, afeto e estímulos constantes, fortalecendo o vínculo humano-animal e reduzindo comportamentos indesejados, como ansiedade por separação. O laço afetivo entre eles faz também com que o animal adquira um comportamento calmo, tolerante, sociável e participativo, sendo uma boa companhia para a família e todos ao seu redor.
Segundo a psicóloga, ao perceber que é capaz de cuidar de outro ser, a criança internaliza crenças positivas sobre si mesma, promovendo a autoconfiança e a autoestima. Além disso, acrescenta, o vínculo afetivo entre os dois pode servir como recurso de regulação emocional: “animais são companheiros, oferecem conforto e ajudam a reduzir a ansiedade e o estresse”, explica.
Estímulo físico
Além dos benefícios psicológicos e socioemocionais, a relação entre animais e crianças também os estimula fisicamente. Brincar, passear, ensinar truques e cuidar de um animal envolve gasto de energia e a prática de atividades físicas, como a caminhada. Um incentivo à criança sair de casa, socializar em outros ambientes e cultivar uma rotina não-sedentária.
O cuidado direcionado a um animal também beneficia a coordenação motora, tanto a fina quanto a grossa, auxiliando que a criança desenvolva com precisão essas habilidades. Segundo Laiane, todas as etapas que envolvem o cuidado animal são utilizadas como estratégias comportamentais. “Todas estas atividades servem para reduzir o tempo de telas, favorecer interações saudáveis com o ambiente, prevenir o sedentarismo e auxiliar no controle de ansiedade ou agitação.”
A veterinária Roberta Krepp pondera que, apesar de os animais geralmente se darem bem com crianças, é necessário que o comportamento dele seja bem observado e até aprimorado. Um aliado é o adestramento, que trabalha conceitos, como habilidades interativas, tolerância e obediência por parte do bichinho.
Planejamento para rotina de cuidados
A inclusão da criança na rotina de cuidados de um pet deve ser planejada com atenção: as tarefas designadas às crianças ou as que ela poderá auxiliar têm que ser pensadas de acordo com a faixa etária e o nível de compreensão, a fim de evitar que o cuidado se torne precário ou que a criança perca o interesse e o carinho pelo pet, percebendo-o apenas como um trabalho a ser cumprido. A atenção em relação ao que deve ou não ser feito é essencial também para a prevenção de possíveis acidentes causados pela interação inapropriada.
Há muitas maneiras de uma criança participar de forma ativa e direta na criação do pet. “Crianças podem ajudar em atividades simples e significativas, como repor água e ração, passear junto com o animal, escovar o pelo e ajudar na organização dos brinquedos e do cantinho dele. Tudo isso deve ser feito com a supervisão de um adulto, claro”, reforça Roberta Krepp.
Em contrapartida, a veterinária alerta para tarefas em que as crianças não devem ter participação, priorizando a segurança de ambas as partes. A aplicação de medicamentos ou cuidados veterinários, o banho, a tosa e a alimentação de animais agressivos ou possessivos com comida são alguns exemplos de tarefas que podem oferecer risco e causar estresse tanto para ela quanto para o animal.
Roberta explica que as crianças pequenas, por exemplo, nem sempre vão saber respeitar os limites e o espaço do animal, sendo fundamental que aprendam a não reproduzir certos comportamentos, mesmo que no entendimento delas sejam percebidos como brincadeira.
De acordo com a veterinária, subir no animal, puxar as orelhas ou a cauda, mexer com o pet enquanto ele está comendo ou dormindo, correr, gritar e fazer movimentos bruscos próximos a ele são atitudes que devem ser evitadas a fim de prevenir acidentes e garantir a segurança dos envolvidos.
Ela ainda sugere a participação da criança em sessões de adestramento, sendo uma boa maneira de garantir uma convivência respeitosa entre a dupla: “O adestramento positivo, baseado em recompensas e reforços, é uma excelente oportunidade de ensinar respeito mútuo. A criança aprende a se comunicar com o pet de forma clara, enquanto o animal aprende a respeitar os limites e os sinais da criança. Isso aumenta a segurança nas interações e ajuda a prevenir comportamentos indesejados”, destaca.
*estagiária sob supervisão da editora Fabíola Costa
