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Real, Chelsea e a resistência aos 3 zagueiros

Por Bruno Kaehler

28/04/2021 às 07h00 - Atualizada 27/04/2021 às 19h18

Na primeira semifinal da Liga dos Campeões, realizada nesta terça (27), entre Real Madrid e Chelsea, empatada em 1 a 1, vimos duas das principais equipes da temporada atual, por diferentes motivos, utilizando esquemas com três zagueiros em execuções bem diferentes. A escolha pela trinca defensiva é uma discussão importante há muitos e muitos anos, mas que não pode, até hoje, se limitar ao simples e equivocado questionamento se significa pensamentos e posturas defensivas.

A ofensividade, afinal, é definida durante as transições. Seja qual for o modelo de jogo imposto, a equipe é ofensiva se consegue, como o Chelsea de Thomas Tuchel, atacar seu adversário com elevado número de homens no campo rival. E não tanto como o Real Madrid de Zidane, sempre acostumado ao 4-3-3 mas que, cada vez mais limitado às individualidades de seus homens ou às bolas paradas, somado às lesões, buscou o uso de três zagueiros como uma saída que se mostra pouco produtiva justamente pela falta de práticas e treinos – a medida foi recentemente introduzida por Zidane na La Liga.

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Mas o ponto que trago aqui é que quase nenhuma formação com três zagueiros me convence ser a melhor opção para a equipe. Ainda que tenhamos grandes exemplos recentes da aplicação do trio de beques, como a Atalanta e o RB Leipzig, recordados pelo colega de redação, Gabriel Silva. Jamais vou me esquecer de Lúcio, Edmilson e Roque Júnior em 2002, ainda que o penta sempre seja lembrado pelos Ronaldos e Rivaldo. Do São Paulo de Paulo Autuori e depois de Muricy Ramalho, campeão da Libertadores e do Mundial em 2005, e tricampeão nacional consecutivo, em 2006/07/08, em um DNA consolidado de um coletivo consistente por meio do uso de três beques.

O futebol é tão democrático, que nos proporciona momentos inesquecíveis em equipes de diversas formas de jogar. Talvez eu seja vítima do preconceito brasileiro ao sistema, mas me incomoda ver uma semifinal de Champions com dois times jogando xadrez. O jogo não foi desagradável, de forma alguma, mas acabou burocrático em grande parte, o que certamente não deve acontecer no PSG x City de hoje.

Bruno Kaehler

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