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As Superligas e suas emoções

Por Bruno Kaehler

21/04/2021 às 07h00 - Atualizada 20/04/2021 às 20h15

Em semanas de justa overdose de JF Vôlei em função do acesso à elite do voleibol do nosso país, conquistado de forma invicta e coroado com o título diante do Brasília, na segunda-feira (19), quem diria que outra Superliga – que de super, só o nome – tomaria conta do noticiário esportivo.

Enquanto o caneco histórico para Juiz de Fora mexia com as redes sociais e lembrava aos conterrâneos que a cidade tem, sim, bons exemplos de organização no esporte de alto rendimento, nas mesmas plataformas, a revolta tomava os amantes de futebol por conta da iniciativa de alguns dos maiores times do mundo, que manchavam suas histórias para todo o planeta ao confirmarem a criação de uma liga elitista e seleta para combater um sistema que já tanto os beneficia.

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Me apaixonei pelo esporte e assim sigo, pela capacidade de transformação de vidas, seja no aspecto financeiro ou na saúde física e mental. Em quaisquer níveis de rendimento. Por me emocionar em histórias como o reerguimento do JF Vôlei, gradual, com cunho social, sem loucuras financeiras e que também levou alegria para outras milhares de pessoas. Não por meia dúzia de diretorias gananciosas e soberbas, que entendem ser mais importantes que outras ao ponto de prejudicar o coração de todo o meio – os torcedores – além de centenas de clubes, indo contra os princípios do esporte mais popular do planeta.

Mesmo sem a principal folha da Superliga B – e distante dela, aliás -, o JF Vôlei foi campeão invicto. O Tupi, por características proporcionadas pelo mágico futebol, levou um título da Série D em 2011 que até hoje seria impensável diante dos diversos problemas enraizados na agremiação. O esporte é pra todos. Seja na prática ou na torcida. A essência cultural esportiva é ou deve sempre ser baseada na acessibilidade. E a participação tem que ser conquistada esportivamente, nos 90 minutos, nos sets ou o que for.

Mas não posso deixar de dizer que na semana desta péssima Superliga Europeia exposta, voltada ao lucro daqueles que muito já têm, é a Superliga B de vôlei que preenche os corações dos juiz-foranos com alegria e esperança de dias melhores. Que nos distraiu por algumas horas deste pesadelo que vivemos, em que também há pessoas mais interessadas em seus lucros do que naquilo que realmente importa.

Bruno Kaehler

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