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Por que um espasmo, Botafogo?

Por Bruno Kaehler

10/02/2021 às 06h58 - Atualizada 09/02/2021 às 20h15

“O passado é tão bonito que ninguém quer aceitar o presente. Quando falo do presente, falo dos últimos 40 anos. 95 foi um espasmo. Graças a Deus, pois se não tivéssemos uma geração Túlio, estaríamos ainda menores”, afirmou em carta Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente e político-empresário sempre presente no glorioso e sofrido Botafogo de Futebol e Regatas.

Ora, Montenegro, em meio ao oportunismo do pronunciamento, concordamos em um ponto. Graças ao Deus do futebol, 95 existiu. O coração alvinegro _ dos mais apaixonados que já vi – não merece tamanho sofrimento como esse sentido há anos e anos. Mas como um economista, você sabe melhor do que eu: uma hora as contas vêm. E machucam com juro alto.

E os espasmos, caro Montenegro, fazem do futebol o esporte mais imprevisível do planeta. E, muitas vezes, injusto. Há aqueles, inclusive, que se aproveitam de uma destas contrações apoteóticas, como de quase 26 anos atrás, para se vangloriar eternamente.

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Ora, espasmo, nas últimas décadas, no futebol do Rio de Janeiro, foi a recuperação administrativa-financeira da gestão Eduardo Bandeira de Mello no Flamengo. Com vexames dentro das quatro linhas, sim, mas nada que os rivais não tivessem passado em anos próximos mesmo sem, sequer, tentativas de oxigenar a própria saúde econômica. Você sabe melhor do que eu, Montenegro.

E do alto do ilusório palanque, após um fraquíssimo Comitê Executivo de Futebol formado no clube, Montenegro deu mais um tiro no pé. Afinal, se como destacou, o presente alvinegro são os últimos 40 anos, talvez não exista figura mais simbólica do status do Glorioso que a do remetente. Ora, por que muitos dos nomes que comandam o futebol botafoguense em 2020/21 são os mesmos de 30, 40 anos atrás? Por que todo este período é o presente do clube? Por que 95 foi um espasmo?

De bobo o torcedor não tem nada, Montenegro, e tampouco você. O Botafogo nunca será do tamanho que dizem hoje. É dos maiores pelo que desperta nos corações alvinegros e de apaixonados pelo mundo da bola, pela importância na consolidação do futebol brasileiro. É único na essência do esporte. O romantismo importa. Mas não em gestões retrógradas.

O Botafogo, caro ex-presidente, é de Matheus Nascimento, Caio Alexandre, Kanu, e não de Honda, Kalou ou até mesmo Yaya Touré. Mas de palavras estão todos cheios. Botafogo, Fluminense, Vasco. Só se colhe o que se planta.

Bruno Kaehler

Bruno Kaehler

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