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Violência endêmica

A violência doméstica aumentou no período da pandemia, quando, para evitar o contágio, famílias inteiras foram obrigadas a viver no mesmo espaço por longo tempo

Por Tribuna

07/05/2021 às 07h00 - Atualizada 06/05/2021 às 21h08

Uma pesquisa coordenada pelo professor e geógrafo Wagner Barbosa Batella concluiu que as vítimas de violência doméstica ficaram mais vulneráveis durante a pandemia da Covid-19. O trabalho começou em 2018 e teve sua etapa final em 2020. Juiz de Fora foi um oásis, pois, enquanto os números cresceram em todo o país, na cidade, houve uma queda de 15% nos registros oficiais de casos correlatos à violência doméstica. Mas o próprio pesquisador alerta que podem ter ocorrido distorções por conta do fechamento temporário da Casa da Mulher, para onde acorre boa parte das vítimas. A subnotificação, de modo geral, sempre tem sido levada em conta, uma vez que nem todos registram as ocorrências.

A pandemia mudou a configuração da convivência, por ter forçado a reclusão familiar para evitar o contágio. No entanto, quando essa convivência envolveu um longo período, os atritos foram amplificados, e muitos deles chegaram ao extremo da agressão, embora a violência doméstica não se configure apenas nessa situação. Principal componente no elenco vitimado, as mulheres passam, também, por constrangimentos psicológicos, tendo nos parceiros a maior fonte para essa situação.

Em camadas mais carentes, a agressão física tem seu perfil ampliado. Embora os pesquisadores tenham concluído que a violência tem cor e endereço, não estão isentos os segmentos mais abastados, cujos índices, embora menores, também podem apontar para a subnotificação. Várias vítimas evitam recorrer ao agente policial por constrangimento, enquanto outras, em decorrência da falta de alternativas, isto é, para onde ir, acabam tolerando as agressões.

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Para esse público, especialmente, as campanhas de combate à violência doméstica têm sido fundamentais para virada do jogo. Pelas redes sociais e pelos demais meios de comunicação, vários personagens têm apontado que o silêncio é o pior dos mundos e defendem a denúncia. Um passo adiante foi na inovação da legislação agora induzindo síndicos de condomínios familiares a denunciarem casos de violência. Em briga de homem e mulher deve, sim, meter a colher, por conta dos riscos da omissão.

Vários crimes teriam sido evitados se as partes não envolvidas, mas conhecedoras da situação, tivessem se manifestado.

É fato não ser uma situação simples, a começar pelo medo de retaliações, mas há mecanismos que garantem o sigilo de fonte próprios para facilitar as denúncias. A omissão não tem mais espaço.

Tribuna

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