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Ser feliz ou ter razão?

Por Jose Anisio Pitico

30/04/2021 às 07h00 - Atualizada 29/04/2021 às 21h03

Essa é uma pergunta importante, que eu me faço, com frequência, diante do relacionamento cotidiano com as pessoas. Penso até que essa questão deveria ocupar a cabeça de mais gente. Principalmente, porque vivemos numa sociedade individualista, que valoriza os que estão no andar de cima, independentemente de saber como subiram; e não está nem aí para os que estão embaixo. Estou atento às minhas companhias: como me sinto nas conversas estabelecidas? Eu penso que a resposta a essa pergunta não deve ter dois momentos separados. Dois tempos. Ou isto ou aquilo, como no título do livro da poeta Cecília Meireles. Eu posso ser feliz e ter razão. Entendo que essa possibilidade e desejo, não sejam para me mostrar ou parecer superior aos outros, ou, narcisicamente estar
em exibição. Percebo que algumas pessoas parecem mais do que são, de fato. Verdadeiramente. Nada melhor para o script de uma sociedade que valoriza mais a imagem do que o conteúdo.

A razão que procuro e a felicidade que desejo não me fazem sentir ou imaginar que sou melhor que os outros. Nada disso! Sou feliz para mim mesmo. É o que busco. Percebo que a condição de estar feliz ou ter momentos em que estou bem, melhora muito a minha relação interpessoal, porque me dá coragem e equilíbrio. Em mim, eu me basto, sem nenhuma arrogância, me preencho; com todas as faltas possíveis que eu sinto na vida. Ser feliz tem a ver com a necessidade da alma. Ter razão, me parece ser busca de poder. Necessidade de ter aprovação social. Ser admirado. Se for para escolher ou definir somente uma resposta à questão colocada no título dessa crônica de hoje, eu digo que prefiro ser feliz. Ser feliz mais do que ter razão, ter consciência. Tenho feito construções pessoais que me colocam numa condição de não mais precisar da permissão do outro para traçar meu caminho. Preciso muito mais da espiritualidade e da generosidade de alguns artistas, poetas, escritores e músicos do que o conhecimento frio e sem sabor de alguns outros estudiosos da alma humana. Saber e sabor têm que estar juntos.

No trabalho social com as pessoas idosas, onde encontro poesia e ciência, percebo que o perfil desejável de atuação profissional, na minha opinião, é aquele que reúne o conhecimento científico com a amorosidade no coração ao lidar com elas. De que adianta ter os melhores e os mais cobiçados títulos acadêmicos valorizados pelo mercado, se ao cuidar de uma pessoa, uma pessoa idosa, por exemplo, não se tem o mínimo de empatia e de respeito pela vida que está à sua frente?

Conhecimento sem mudança de comportamento na direção do outro de pouco vale se não traz compaixão e/ou solidariedade. Principalmente com quem mais precisa. É como a luz (potente) do candeeiro que alumia debaixo da mesa. Tem que iluminar toda a casa, todas as gentes. A pergunta provocativa do título dessa crônica me fez pensar na necessidade de refletir sobre como estamos vivendo. A realidade da pandemia nos colocou para dentro de casa, para dentro de nós mesmos. Não há dúvida de que, para aquelas pessoas que estão em contato consigo mesmas, certamente, elas estão pensando – trabalhando o sentido para/de suas vidas, suas relações familiares, suas amizades.

Sonhos e metas. Revisão de vida. Outras, não. Para muitas pessoas, o período de isolamento social em que estamos, com as medidas sanitárias adotadas para conter o vírus, não trazem impacto nenhum em suas vidas, nada muda nelas/para elas. É mais uma pandemia e segue o fluxo da vida. Confortadas com o discurso oficial, de que embora mais de 350 mil mortes aconteceram, pouco importa, e daí?

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Ser feliz ou ter razão? A resposta para essa pergunta passa necessariamente pela atuação pública no plano político, pelas nossas ações sociais na promoção permanente do bem estar da coletividade. Pela atuação política de todos nós, com a organização política da sociedade com todas as suas gerações – novos e velhos – jovens e idosos. De um Estado que produza felicidade para todas as pessoas. Uma nação livre da fome e das injustiças sociais. O processo histórico está em curso. Um outro mundo é possível! Vamos na resistência e na esperança de que dias melhores virão. E virão, mesmo! Ser feliz ou ter razão?

Essa é uma pergunta importante, que eu me faço, com frequência, diante do relacionamento cotidiano com as pessoas. Penso até que essa questão deveria ocupar a cabeça de mais gente. Principalmente, porque vivemos numa sociedade individualista, que valoriza os que estão no andar de cima, independentemente de saber como subiram; e não está nem aí para os que estão embaixo. Estou atento às minhas companhias: como me sinto nas conversas estabelecidas? Eu penso que a resposta a essa pergunta não deve ter dois momentos separados. Dois tempos. Ou isto ou aquilo, como no título do livro da poeta Cecília Meireles. Eu posso ser feliz e ter razão. Entendo que essa possibilidade e desejo, não sejam para me mostrar ou parecer superior aos outros, ou, narcisicamente estar
em exibição. Percebo que algumas pessoas parecem mais do que são, de fato. Verdadeiramente. Nada melhor para o script de uma sociedade que valoriza mais a imagem do que o conteúdo.

A razão que procuro e a felicidade que desejo não me fazem sentir ou imaginar que sou melhor que os outros. Nada disso! Sou feliz para mim mesmo. É o que busco. Percebo que a condição de estar feliz ou ter momentos em que estou bem, melhora muito a minha relação interpessoal, porque me dá coragem e equilíbrio. Em mim, eu me basto, sem nenhuma arrogância, me preencho; com todas as faltas possíveis que eu sinto na vida. Ser feliz tem a ver com a necessidade da alma. Ter razão, me parece ser busca de poder. Necessidade de ter aprovação social. Ser admirado. Se for para escolher ou definir somente uma resposta à questão colocada no título dessa crônica de hoje, eu digo que prefiro ser feliz. Ser feliz mais do que ter razão, ter consciência. Tenho feito construções pessoais que me colocam numa condição de não mais precisar da permissão do outro para traçar meu caminho. Preciso muito mais da espiritualidade e da generosidade de alguns artistas, poetas, escritores e músicos do que o conhecimento frio e sem sabor de alguns outros estudiosos da alma humana. Saber e sabor têm que estar juntos.

No trabalho social com as pessoas idosas, onde encontro poesia e ciência, percebo que o perfil desejável de atuação profissional, na minha opinião, é aquele que reúne o conhecimento científico com a amorosidade no coração ao lidar com elas. De que adianta ter os melhores e os mais cobiçados títulos acadêmicos valorizados pelo mercado, se ao cuidar de uma pessoa, uma pessoa idosa, por exemplo, não se tem o mínimo de empatia e de respeito pela vida que está à sua frente?

Conhecimento sem mudança de comportamento na direção do outro de pouco vale se não traz compaixão e/ou solidariedade. Principalmente com quem mais precisa. É como a luz (potente) do candeeiro que alumia debaixo da mesa. Tem que iluminar toda a casa, todas as gentes. A pergunta provocativa do título dessa crônica me fez pensar na necessidade de refletir sobre como estamos vivendo. A realidade da pandemia nos colocou para dentro de casa, para dentro de nós mesmos. Não há dúvida de que, para aquelas pessoas que estão em contato consigo mesmas, certamente, elas estão pensando – trabalhando o sentido para/de suas vidas, suas relações familiares, suas amizades. Sonhos e metas. Revisão de vida. Outras, não. Para muitas pessoas, o período de isolamento social em que estamos, com as medidas sanitárias adotadas para conter o vírus, não trazem impacto nenhum em suas vidas, nada muda nelas/para elas. É mais uma pandemia e segue o fluxo da vida. Confortadas com o discurso oficial, de que embora mais de 350 mil mortes aconteceram, pouco importa, e daí?

Ser feliz ou ter razão? A resposta para essa pergunta passa necessariamente pela atuação pública no plano político, pelas nossas ações sociais na promoção permanente do bem estar da coletividade. Pela atuação política de todos nós, com a organização política da sociedade com todas as suas gerações – novos e velhos – jovens e idosos. De um Estado que produza felicidade para todas as pessoas. Uma nação livre da fome e das injustiças sociais. O processo histórico está em curso. Um outro mundo é possível! Vamos na resistência e na esperança de que dias melhores virão. E virão, mesmo!

Jose Anisio Pitico

Jose Anisio Pitico

Assistente social e gerontólogo. De Porciúncula (RJ) para o mundo. Gosta de ler, escrever e conversar com as pessoas. Tem no trabalho social com as pessoas idosas o seu lugar. Também é colaborador da Rádio CBN Juiz de Fora com a coluna Melhor Idade. Contato: (32) 98828-6941

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