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Daqui para a frente!

Por Jose Anisio Pitico

04/06/2021 às 07h00 - Atualizada 02/06/2021 às 17h01

A festa – que não houve – por razões óbvias, embora, há muito desejada, acabou. A reunião restringiu-se há um número bem limitado de familiares, todos daqui, sem a presença dos de fora e de amigos e amigas, como, habitualmente, eu faço no quintal da casa da minha mãe. Debaixo de uma bela árvore, refrescante e sempre acolhedora. Um grande e querido pé de manga. O lugar foi o mesmo. O cardápio também.

Costumeiramente, as minhas comemorações extrapolam ao dia do aniversário. Rendem muito… A comemoração dos meus 60 anos foi muito emblemática. Me trouxe mais reflexões do que as que eu tenho feito todos os dias no transcurso da vida. A mais óbvia de todas, o que não significa que seja a mais fácil, é a de que estou ficando velho.

Desculpem-me pelo tratamento. Eu prefiro assim. Como escrevi na Coluna da semana passada, estou na Terceira Idade. Ou, como se leria, a expressão pinçada na Coluna CR, faço parte do time dos sessentões. Certamente, já vivi mais da metade do meu tempo de vida, estou na esquina, para dobrar o “Cabo da Boa Esperança”. Passado todo esse momento gostoso de estar com a família, de um fim de semana que podia nunca terminar, de jogar conversa fora e reviver momentos da meninice em histórias contadas pela mãe. Isso tudo não tem preço.

Uma outra importante constatação que a reunião familiar me trouxe é a de que minha mãe, e ela tem essa consciência, está idosa, com as suas agruras, angústias e prazeres alcançados ao longo de oito décadas. Outras considerações me chegam ao entrar para a realidade do envelhecimento: qual é o significado, o sentido da vida? Pode parecer um grande clichê, levantar essas velhas perguntas.

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Mas, com a passagem do tempo em nós, tenho a firme convicção de que é cada vez mais necessário perceber para onde está indo o nosso coração. Perguntar-se sempre. O que é ter uma vida bem vivida? Eu já fiz o meu compartilhamento aqui em Colunas anteriores a esse respeito, do que eu considero como sendo muito importante para a minha vida. O meu maior orgulho é a minha família. No espelho, do que nos disse, a Dona Lurdinha, uma bem-humorada senhora, há pouco tempo, que nos ajudou nas tarefas domésticas: “fala pra todo mundo, que o meu neto passou no vestibular de Medicina. Terei um médico na família”. Esse é o orgulho que me refiro em relação às minhas raízes familiares.

Para mim é muito importante cultivar e preservar velhas amizades. E fazer novas. Tantas possíveis. Me considero uma pessoa gregária. Na metáfora futebolística estou mais para “Diego Ribas” do que para “João Gomes”. Gosto da resenha, seja ela qual for. Já escrevi isso também e reitero aqui, o que eu sou vem das pessoas, dos mais próximos e próximas, dos que leio, dos que amo à distância, nem tanta distância assim; principalmente nas páginas dos livros de literatura. A imaginação traz para dentro de mim, autores e autoras que me falam ao coração e à alma, estão sempre comigo, estão em mim, pouco importa se já subiram para “o andar de cima”.

Com todas essas elucubrações existenciais, que eu colo no meu tempo de vida, conscientizo-me de que a vida segue seu curso. A vida continua. Nesse tempo de muito pouco entusiasmo com a presença do sol nas manhãs de outono, eu preciso reagir e inventar um novo amanhã.

Tem horas que os dias realmente estão ou ficam embaçados para a visão de outras possibilidades de mim na vida. Eu desejo para sempre ressignificar o meu futuro, vencer essa inércia emocional presa à epiderme da alma. Na sequência da conquista dos 60 anos, eu desejo mais. Aprender a viver, com sabedoria, leveza e serenidade. Certo de que viver o meu envelhecimento será e já é, com certeza, uma oportunidade riquíssima para me conhecer um pouco mais. Prezado leitor e leitora – como o autoconhecimento – é imprescindível para decifrar os enigmas e fantasmas que são colocados sobre nós, e que muitas das vezes, não nos pertencem.

Vamos em frente. Agora, o que eu mais desejo é cuidar da minha saúde para dar conta de conviver com os meus novos nascimentos. Cuidar. Essa é a minha palavra de ordem. De mim. E dos meus. E minhas.

Jose Anisio Pitico

Jose Anisio Pitico

Assistente social e gerontólogo. De Porciúncula (RJ) para o mundo. Gosta de ler, escrever e conversar com as pessoas. Tem no trabalho social com as pessoas idosas o seu lugar. Também é colaborador da Rádio CBN Juiz de Fora com a coluna Melhor Idade. Contato: (32) 98828-6941

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