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Teenage Fanclub é melhor que todo Prozac já produzido pela humanidade

Por Júlio Black

12/05/2021 às 07h00 - Atualizada 11/05/2021 às 14h28

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Oi, gente.

Há tempos precisamos nos apegar às pequenas alegrias e/ou contar com a ajuda de medicamentos para encarar essa barra que é viver no Brasil. Muitas vezes, é a arte que nos proporciona esses momentos que aliviam o coração, imagine então quando você descobre que três de suas bandas favoritas lançaram novos álbuns no espaço de duas semanas.

Pois o final de abril e início de maio nos deram os novos trabalhos de Teenage Fanclub, Dinosaur Jr. e Weezer, e os dias ficaram um pouco mais leves toda vez que colocávamos os headphones para ouvirmos o que essa turma tinha para cantar, servindo de ótimo complemento para minha recente obsessão com os últimos álbuns do The National – sério, ouçam “High Violet”, “Trouble will find me”, “Sleep well beast” e “I am easy to find”.

Mas voltemos às novidades, começando com o Teenage Fanclub. “Endless Arcade” é o primeiro álbum do grupo escocês sem o baixista e vocalista Gerard Love, um dos membros originais da banda, que pediu o boné em 2018 por discordar dos planos de futuras turnês ao redor do globo. Mal sabia o rapaz que a pandemia chegaria e ninguém iria além da esquina, mas aí são outras 500 libras.

Quanto ao álbum em si, é claro que a ausência de Love é sentida, não só pelo seu estilo vocal, mas também por ser o compositor de alguns dos clássicos do TFC. Como resultado, “Endless Arcade” não entra na lista de três melhores álbuns dos escoceses, mas ainda é aquela coisa linda de se ouvir, o bom e velho power pop com letras sobre amor, amadurecimento, sentimentos tão comuns a nós, pobres mortais.

Remanescentes da formação original, Norman Blake e Raymond McGinley entregam uma dúzia de canções com a inspiração do rock dos anos 60 que marca as mais de três décadas de trajetória da banda, transitando entre músicas mais animadas e aquelas baladas para ouvir ao lado da pessoa amada, ou pensando nela.

Com um novo integrante, o tecladista Euros Childs (ex-Gorky’s Zygoti Mynci), o Teenage Fanclub continua nada menos que sublime graças a canções como “I’m nore inclinated”, “Home”, “The sun won’t shine on me”, “Everything is falling apart” e a faixa-título, entre outras.

Como digo e repito há anos, o mundo seria um lugar muito melhor se as pessoas ouvissem Teenage Fanclub. Aliás, aproveite esse streaming que você paga todo mês e vá ouvir também álbuns maravilhosos como “Bandwagonesque”, “Grand Prix”, “Here”, e canções pop perfeitas como “Neil Jung”, “Baby Lee” e “I’m in love”. É melhor que todo Prozac já produzido pela humanidade.

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Quem também voltou fazendo o que sabe fazer de melhor é o Dinosaur Jr. “Sweep it into space” chega com a boa e velha fórmula de rock pesado e melódico com ótimos solos de guitarra, além da voz mais que peculiar do vocalista e guitarrista J Mascis, sempre acompanhado pelos parceiros Lou Barlow (baixo) e Murph (bateria).

Com produção do fã declarado Kurt Vile, que deixou o som da banda meio limão mais melódico (alguns diriam pop), “Sweep it into space” vai fazer a alegria dos seguidores de longa data graças a músicas como “To be waiting”, “I ain’t”, “I ran away”, “I expect it always”, “Hide another round” e “You wonder”. Quem por acaso não conhece, vai virar fã na hora, pois o disco é coisa marlinda de se ouvir. Nem parece que os coroas do Dinosaur Jr., entre brigas, separações e o retorno da formação clássica, em 2005, têm quase 40 anos de estrada.

Por fim, como é bom ver que o Weezer parece ter saído do período de vacas magérrimas. Quem acompanha a coluna sabe que ficamos animados com o lançamento, no início do ano, de “OK Human”, melhor trabalho do grupo desde o distante “Green Album”. Pois mal se passaram três meses e Rivers Cuomo e sua patota retornam com o divertido “Van Weezer”, que deveria ter sido lançado ano passado se não fosse a pandemia, o que pode causar estranhamento para quem curtiu o pop orquestral do trabalho anterior – que foi composto depois de “Van Weezer”, adiado porque seria a base do show da turnê com a qual o Weezer rodaria por aí com Green Day e Fall Out Boy.

Apesar de ser um dos ícones do indie rock sensível, Rivers Cuomo nunca escondeu seu amor pelo glam rock e hard rock dos anos 70 e 80, aquele rock de arena cheio de calças com estampa de tigresa, maquiagem e penteados escalafobéticos – com exceção da parte misógina, homofóbica e sexista das bandas da época -, que aparecia eventualmente em alguns riffs de guitarra na discografia do quarteto.

Por isso, o anúncio de “Van Weezer” não surpreendeu, e é percebido como homenagem a grandes nomes do rock de arena do período, como Aerosmith, LA Guns, Ozzy Osbourne/Black Sabbath, Kiss e o próprio Van Halen – o disco, aliás, é dedicado ao guitarrista Eddie Van Halen, que morreu ano passado sem poder ouvir a homenagem de seus fãs. Isto posto, é preciso dizer que o novo álbum do Weezer segue boa parte da cartilha do hard rock farofa, mas apenas no que diz respeito aos riffs de guitarra e refrões capazes de levantar a galera nos estádios.

Na média, “Van Weezer” mistura o rock extravagante de outrora com o DNA indie da banda, as letras emocionais de seu líder, e essa combinação inusitada resulta em um disco que não é perfeito, mas que consegue ser divertido do início ao fim graças a músicas como “Hero”, “Sheila can do it”, “I need some that” e “Beggining of the end”. São dez músicas em pouco menos de 30 minutos, mas é tempo suficiente para ficarmos animados com o bom momento vivido pelo Weezer.

Vida longa e próspera. E obrigado pelos peixes.

(Ah, e façam o favor de seguir nossa playlist no Spotify e Deezer. São mais de duas mil músicas, e contando)

Júlio Black

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