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Sentir-se ‘importante’

Por Renan Ribeiro

04/06/2021 às 07h00 - Atualizada 02/06/2021 às 21h16

Dia desses a campainha tocou e era uma entrega dos Correios para o meu pai. Ele não se lembrava de ter feito o pedido. Era um aparelho que deu defeito e precisou ser substituído, mas, de fato, com outras preocupações em mente, a entrega do objeto era um dado fora do radar das prioridades.

Foi motivo de riso, no entanto, o que meu pai disse com o embrulho nas mãos: “agora eu me senti importante! Fui chamado pelo nome e não era conta para pagar. O moço deixou um embrulho para mim”. Contou ele, entusiasmado. Ficou satisfeito pela chegada do aparelho, mas o que o deixou contente mesmo foi a maneira como ele chegou.

No geral, quando precisamos comprar algo pela internet, eu participo de todo o processo. Com isso, controlo as datas, as informações sobre pagamento, transporte e tudo que envolve o ato. Não foi o caso dessa vez. Já precisei também fazer algumas trocas e, até hoje, não ocorreu nenhum grande problema com alguma compra que eu tenha feito on-line. No máximo um atraso, mas tudo foi resolvido sem maiores estresses.

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No entanto, soube, de imediato, do que se tratava a sensação descrita pelo meu pai. Independente do que adquirimos, do valor, do tamanho, há uma expectativa pela chegada do objeto. Há um desassossego que sentimos desde o momento em que ocorre o clique da encomenda, nem sempre consciente, para saber se vai chegar tudo certo, dentro do prazo, entre outros medos. Ainda que a gente saiba o que é, que a gente tenha pago pelo produto, a urgência de tê-lo em mãos gera uma inquietação quase infantil. Ainda mais para quem é mais ansioso, como é o nosso caso.

As idas à janela constantes para ver se há algum sinal do entregador, o receio de que a gente não ouça ele chamar, atenção a qualquer barulho que possa indicar a presença dele, a frustração ao perceber que o grito que ouvimos é a entrega de algum vizinho.

Quando é a nossa vez, é um atropelo. Saí correndo para pegar máscara, calçar o chinelo, descer as escadas até o pacote, conferir dados, ver se está tudo certo, higienizar e, finalmente, trazer o embrulho para dentro de casa. Vez ou outra, chega um presente, algo que não tínhamos ideia que viria e essa entrega é ainda mais mais especial.

Aconteceu também na semana passada, quando meu pai recebeu um presente de um amigo, que veio pelos Correios. Lembrança repleta de significado e atenção, que o deixou emocionado. É o tipo de carinho que chega sempre em boa hora e traz com ele uma nova energia para o dia, ou te faz sentir-se ‘importante’, mesmo que por um momento.

Renan Ribeiro

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