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Caneta e lupa: o que esperar da inflação em 2021?

Por Gabriel Manhães e Rafael Teixeira

11/05/2021 às 07h00 - Atualizada 10/05/2021 às 17h31

A inflação é um dos maiores exemplos práticos de como assuntos econômicos impactam diretamente na vida dos cidadãos de um país. Ela afeta diretamente o bem-estar das pessoas, já que quanto maior for a taxa de inflação, maior será a redução do valor real do dinheiro em circulação, fazendo com que as pessoas percam qualidade de vida ao terem uma menor capacidade de consumir de bens e serviços.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou uma inflação de 0,60% entre os meses de março e abril, ficando abaixo da taxa verificada entre fevereiro e março (0,93%). O índice, que serve como uma prévia para a inflação oficial do mês, foi calculado por meio de coletas realizadas entre os dias 16 de março e 13 de abril, e leva em consideração hábitos de consumo de famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos.

O maior responsável pela alta do IPCA-15 veio do setor de transportes. O grupo obteve uma variação de 1,76% após um forte aumento dos combustíveis (4,87%), puxado pelas altas da gasolina (5,49%), do etanol (1,46%) e do óleo diesel (2,54%). Vale destacar o poder que o setor em questão tem de incrementar simultaneamente os custos de várias etapas da cadeia produtiva até atingir de forma ampla os consumidores finais.

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Outras altas do IPCA-15 no mês de abril vieram dos grupos: artigos de residência (0,55%), puxado pela alta dos móveis (0,84%); alimentação e bebidas (0,36%), com destaque para os aumentos do pão francês (1,73%), do leite longa vida (1,75%) e das carnes (0,60%); habitação (0,45%), pressionado pela alta de 2,49% no gás de botijão; e saúde e cuidados pessoais (0,44%), pelas altas dos planos de saúde (0,66%) e produtos farmacêuticos (0,53%). As menores variações de preços vieram dos grupos comunicação (- 0,04%) e educação (0,00%).

Estimativas do Banco Central apontam que a inflação acumulada em doze meses continuará aumentando até o meio do ano de 2021, quando alcançará a marca de 7,8%. Entretanto, é esperado que o ritmo de evolução do IPCA seja reduzido no segundo semestre, como efeito do novo ciclo de altas na taxa básica de juros (SELIC) iniciado no mês de março deste ano.

Maiores taxas de juros reduzem os estímulos ao consumo (como pode ser observado pelo aumento do custo de realização de empréstimos) e geram um comportamento mais brando para o IPCA, que deve encerrar 2021 em 5,6% – acima do teto da meta de 5,25%. Até lá, o que nos resta é uma caneta e uma lupa para acompanharmos as melhores oportunidades de preços e nos esquivar, ainda que parcialmente, dos impactos da inflação.

 

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