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Maior inflação do ano

Por Rafael Teixeira e Victor Chiaratti

10/11/2020 às 07h00 - Atualizada 09/11/2020 às 19h19

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou, mais uma vez, crescimento no ano, resultando na maior inflação mensal em 2020, atingindo 0,86% em outubro. O resultado é o maior para o mês de outubro desde 2002 e já soma alta de 2,22% no acumulado deste ano. Desconsiderando a queda geral de preços ocorrida entre os meses de abril e maio, o IPCA apresentou um crescimento de 2,74% entre os seis últimos
meses.

O crescimento está direcionando a inflação para as expectativas traçadas no final de 2019, de 3,8%, pelo Relatório Focus, do Banco Central. Além do crescimento mensal, a chegada do último trimestre do ano traz as expectativas de que a inflação chegue perto do projetado anteriormente, com o mesmo relatório projetando, em 30 de outubro, que o ano termine com inflação de 3,02%. O comportamento de preços a partir do segundo semestre pode ser explicado pela recuperação parcial da atividade econômica. Novas projeções apontam que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro não sofrerá tanto quanto era esperado no começo da crise econômica: o mesmo encerrará o ano com uma queda de 4,81%, diferentemente da queda de 6,54% prevista no último Boletim Focus de junho.

As variações por setor, divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demonstraram que o crescimento da inflação é derivada, principalmente, pelos setores de alimentação e bebidas, transportes, artigos de residência e vestuários, que apresentaram variação positiva de 1,93%, 1,19%, 1,53% e 1,11%. O setor de educação, por outro lado, ainda continuou apresentando deflação, mesmo que em outubro a variação
tenha sido menor do que a de setembro, fazendo com que o setor atingisse queda de 0,04%.

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Segundo análises divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), tais resultados representam uma tendência internacional, na qual os setores ligados aos bens essenciais e bens de consumo apresentaram uma maior recuperação ao longo do ano, como pode ser visto na agricultura, comércio e indústria. Já as atividades do setor de serviços, as quais representam um maior nível de contato social, sofreram quedas mais expressivas e um processo de recuperação mais lento, como pode ser observado nos ramos de hotelaria, restaurantes e transportes aéreos. Com relação à variação de preço dos setores que apresentaram uma maior queda desde o início da pandemia, o item passagens aéreas foi o que sofreu maior variação no mês de outubro, aumentando 39,83%.

Outro índice que também subiu foi o Índice de Preços ao Produtor (IPP), aumentando 2,37% em setembro. O IPP mede o preço dos produtos “na porta das fábricas”, sem fretes e impostos, abrangendo os bens de capital (máquinas e equipamentos), bens intermediários (bens manufaturados ou matéria-prima) e bens de consumo (os bens utilizados pelos indivíduos e famílias). No acumulado do ano, o IPP já demonstrou crescimento de 13,46%, sendo as indústrias extrativas e os alimentos os setores com maior influência, de 1,80 e 5,36 pontos percentuais (p.p.), respectivamente.

A atual preocupação dos agentes, portanto, está na velocidade com a qual os preços vêm se elevando desde o segundo semestre. Os mesmos vêm sendo pressionados por fatores externos e internos, restando a dúvida sobre o quanto a situação fiscal do país permitirá uma trajetória saudável para o nível de preços no pós-pandemia, e o quanto essa herança inflacionária poderá retardar a trajetória de crescimento econômico e aprofundar as desigualdades já existentes no Brasil.

 

Tribuna

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