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Economia e meio ambiente, uma via de mão dupla

Por Débora Mendonça e Marcos Sena

04/05/2021 às 07h00 - Atualizada 03/05/2021 às 22h00

A pandemia presente há mais de um ano embaralhou a economia global como não se observava desde a Segunda Guerra Mundial. Seguindo as incertezas da crise sanitária e econômica atual, governos do mundo inteiro agora se empenham para controlar medidas que não eram consideradas prioritárias com avanço da pandemia como, por exemplo, questões relacionadas a qualidade de vida e meio ambiente. A Segunda Guerra Mundial deixou marcas profundas no ambiente natural e áreas ocupadas pelas indústrias de guerra, mas as ações atuais que afetam o meio ambiente têm forte tendência de se consolidarem como problemática significante nas próximas décadas.

A preservação ambiental é ponto crucial no estabelecimento de relações entre países e acaba por influenciar as relações comerciais. Neste contexto de preocupações com as consequências causadas pelo desmatamento, o governo brasileiro comprometeu-se, durante participação na Cúpula do Clima, a acabar com o desmatamento ilegal no país até 2030 e acabar com a emissão de gases de efeito estufa até 2050. Além disso, as novas regras para investimento direto em bioeconomia, como o Programa Nacional Lixão Zero e o Programa Nacional de Recuperação de Áreas Contaminadas, são algumas das medidas adotadas visando a preservação do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida.

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Porém, no Brasil, a preservação ambiental caminha em uma via de mão dupla: se por um lado ações visam preservar o meio ambiente, por outro, a falta de investimentos provoca o agravamento da situação ambiental. Dados do orçamento para o ano de 2021 mostram que o Ministério do Meio Ambiente teve R$ 239,8 milhões vetados. Vale destacar que, do valor vetado, R$ 11,6 milhões estavam destinados a ações de controle e fiscalização ambiental. Em nota, o Ministério do Meio Ambiente informou que enviou ao Ministério da Economia pedido de recomposição orçamentária e duplicação das verbas, na ordem de R$ 270 milhões, para atividades de fiscalização, prevenção, combate ao desmatamento ilegal e de incêndios florestais. A verba também prevê ações de monitoramento ambiental.

Enfim, para se ter uma ideia da importância da preservação para a economia do país, o Fórum Econômico Mundial, no Relatório de Riscos Globais 2020, estima que a perda abrupta da cobertura da Amazônia pode ter um custo econômico superior a US$ 3 trilhões (R$ 12,5 trilhões) nas próximas três décadas. O relatório destaca ainda, os riscos para os mercados agrícolas, que poderiam sofrer um declínio considerável de produtividade. Tais aspectos reforçam a importância da preservação ambiental, não apenas para a manutenção da biodiversidade, mas também, para a manutenção e a melhoria da qualidade de vida e para um desenvolvimento econômico sustentável.

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