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Roupa tem idade?

Roupa não vem com etiqueta de idade, já começamos por aí!

Por Ana Paula Calixto

29/01/2021 às 06h58 - Atualizada 29/01/2021 às 16h46

Esta é uma coluna na primeira pessoa sobre a a arte de vestir. Sou uma mulher madura, de 49 anos, que ama e vive a moda, que vibra com as novidades, e que se diverte com ela! Acho que aqui está o principal ponto: eu me divirto com a moda, experimento novos estilos, me permito e me descubro cada vez mais! Ao espiar meu rolo de câmera pra colher dados para esta coluna, fui revisitando meu estilo e os pilares que o compõem. E é flagrante como gosto de mudanças e não tenho medo delas! Mas o importante é que as minhas mudanças foram motivadas pelo meu desejo de me tornar uma melhor versão de mim mesma e não para atender a padrões e expectativas sobre a minha imagem.

Sempre fui muito livre para me vestir, mas, ao mesmo tempo, sempre busquei me adequar aos diversos papéis que desempenho, e como profissional da moda, me permito uma “licença poética” na arte de vestir. E tem hora que extrapolo, quebro convenções e isso é um ótimo exercício de autoconfiança! Faço valer a minha frase: “quando você está segura, ninguém te segura” e encaro! Se agrado a todos? Claro que não, e nunca foi minha intenção. Se me julgam? Claro que sim, e buscar não me importar é um processo contínuo de amadurecimento. E aí está a palavra-chave da coluna: amadurecimento! Assim como me tornei uma mulher madura, o meu relacionamento com a moda amadureceu junto. Hoje me permito mais, mas ao mesmo tempo, também abro mão de seguir tendências só para “estar na moda”. A maturidade me ensinou que a maior tendência é respeitar o meu estilo, é fazer as minhas escolhas de acordo com a pessoa que eu sou hoje.

Ao longo do tempo mudamos nossos gostos, nossas preferências, nossos corpos e também mudamos nossa maneira de vestir. Mas o ponto importante é que essa mudança deve vir de dentro para fora, se as escolhas das roupas irão mudar ou não, depende do desejo e das circunstâncias de vida de cada um! Seja porque não cabem mais no estilo de vida, não combinam mais com a pessoa que nos tornamos e nunca porque “não temos mais idade pra isso”.

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Ilustração: DaniBrito @mercadodasalvacaostudio

Nada mais fora de moda que limitar o que a pessoa “pode” ou “não pode ” vestir por causa da idade. Não existe padrão de vestimenta para faixa etária. Existem pessoas, todas diferentes, que irão escolher as roupas de acordo com seu gosto pessoal, sua história de vida.
Como muito bem colocou a escritora Cris Guerra, no seu vídeo sobre etarismo, o preconceito com a idade, que teve enorme repercussão: “Esse estereótipo já era. Não existe uma velhice, existem várias, a pessoa não deixa de ter a personalidade que ela sempre teve, talvez seja o contrário, talvez ela apure e se torne cada vez mais quem ela é”. E este conceito se aplica à arte de vestir também. Convencionou-se uma série de regras para o vestir da mulher madura. Uma lista enorme de pode e não pode, carregada de julgamentos pesados, inclusive de conduta moral. Nas críticas fica implícito, e muitas vezes escancarado, que a mulher ao atingir uma certa idade deve abrir mão de usar determinados tipos de roupas, abolir o comprimento curto, barriga de fora de jeito nenhum, nem um pedacinho, e looks mais sensuais com decotes, fendas e transparências só em ocasiões super-restritas e olhe lá! Ainda há muito preconceito e juízo de valor quanto ao tema.

Quem nunca ouviu, ou mesmo falou, em tom de crítica: “ela não tem mais idade pra usar este tipo de roupa”, “Quer competir com a filha”, “Sem noção do ridículo, uma roupa tão justa” e o mais cruel de todos: “ela não tem mais corpo pra isso…”. E por aí vai, uma série de comentários preconceituosos, baseados num pensamento ultrapassado que a partir de uma certa idade a mulher não tem mais o direito de usar determinados tipos de roupas, por não ser “recomendado” para a sua idade.

No meu curso “A arte de vestir” sempre pontuo sobre a liberdade de escolha, estilo é escolha! Pra mim, a mulher pode, e deve, usar a roupa que quiser, independente da idade, desde que se sinta confortável, e a composição do look esteja de acordo com o ambiente e a ocasião, pois o respeito ao dress code de um evento e se vestir adequadamente ao ambiente é uma questão de gentileza e elegância. Adequação não sai de moda. As perguntas da arte de vestir: quem sou eu, aonde vou, com quem e fazer o quê devem nortear a escolha do look.

Comprimento curto, barriga de fora, decote são somente itens na composição do look, que vestem uma pessoa. E o que ela gosta de usar cabe exclusivamente a ela, às suas escolhas, independente da sua idade, corpo, estado civil e signo!! Liberdade de ser e de vestir é a maior das tendências. Roupa não tem idade!

Ana Paula Calixto

Ana Paula Calixto

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