Entre editais, cronogramas e horas de estudo, a preparação para concursos públicos costuma ser uma jornada individual. Foi a partir dessa rotina, muitas vezes solitária, que uma startup de Juiz de Fora desenvolveu a Sharing, rede social que conecta concurseiros e profissionais da área para a troca experiências e conteúdos.
Na plataforma, concurseiros podem interagir entre si e com profissionais da área, encontrar parceiros de estudo, tirar dúvidas e compartilhar informações relacionadas à preparação para as provas. A proposta é reunir, em um único espaço, uma comunidade formada por quem busca uma vaga no serviço público.
Lançada em 4 de julho, a Sharing registrou quase 2 mil cadastros nas primeiras 24 horas. Dez dias depois, a plataforma se aproximava de 5 mil usuários ativos, com milhares de publicações, comentários e grupos criados.
O diretor da Sharing e proprietário da empresa responsável pelo desenvolvimento da plataforma, Carlos Phillipi, conta que a procura superou as expectativas e exigiu adaptações técnicas ainda nos primeiros dias. “A gente tinha um número em mente, mas foi surpreendente. Chegou um momento em que tivemos que fazer algumas adaptações para conseguir absorver aquela quantidade de cadastros.”
A ideia surgiu a partir da experiência da empresa com soluções tecnológicas voltadas à educação e de conversas com Rafael Reis, hoje sócio e parceiro do projeto. O contato com amigos e familiares que estudavam para concursos também ajudou a identificar uma dificuldade recorrente: embora existissem grupos em redes sociais tradicionais, não havia um ambiente dedicado exclusivamente à rotina dos concurseiros. “Chegamos à conclusão de que não existia uma rede social específica para esse público. Foi aí que percebemos a oportunidade”, explica Carlos.
Grupos, comunidades e biblioteca de estudos
Dentro da Sharing, os usuários podem fazer publicações, comentar conteúdos, participar de comunidades e criar grupos de estudo públicos ou privados. A plataforma também permite acompanhar perfis de outros estudantes, professores e profissionais ligados ao universo dos concursos.
Outro recurso é a biblioteca do concurseiro, em que cada usuário pode criar pastas e reunir materiais de acordo com os conteúdos estudados. Quem se prepara para uma prova de tribunal, por exemplo, pode armazenar publicações e informações relacionadas ao edital em um mesmo espaço.
Segundo Carlos, os primeiros dias de funcionamento têm sido marcados principalmente pelo esclarecimento de dúvidas sobre provas, compartilhamento de materiais e formação de grupos entre pessoas interessadas nos mesmos concursos.
A escolha dos perfis e das comunidades que aparecem na página de cada usuário também é uma das estratégias adotadas para reduzir as distrações comuns em outras redes sociais. “O usuário consegue criar esse filtro a partir do que quer seguir. Ele passa a visualizar o conteúdo das pessoas e dos grupos relacionados ao que está estudando”, afirma.
Acesso por código
A Sharing funciona como um aplicativo web, acessado pelo navegador. Para fazer o cadastro, é necessário utilizar um código disponibilizado por professores e instituições que atuam como embaixadores da plataforma ou pelos perfis oficiais da rede social.
Segundo Carlos, a estratégia foi adotada para aproximar os primeiros usuários de profissionais que já mantêm contato com o público concurseiro. Nesta etapa inicial, professores também contribuem com sugestões de novas ferramentas e ajustes para futuras atualizações.
A expectativa é ampliar, posteriormente, as parcerias com cursinhos preparatórios e instituições de ensino. Por enquanto, conforme o diretor, a prioridade é aumentar a circulação de conteúdos e fortalecer a interação entre os usuários. “É uma primeira versão e ainda estamos em um momento muito embrionário. Os usuários e professores têm enviado várias ideias, que passam a integrar o planejamento das próximas atualizações”, explica.
Desenvolvida em Juiz de Fora, a plataforma também reflete, para Carlos, o potencial do setor de tecnologia no município. A empresa responsável pela Sharing já presta serviços de desenvolvimento de sistemas, aplicativos e sites para clientes no Brasil e em outros países. “Acredito que Juiz de Fora tem um potencial tecnológico muito grande. Temos projetos desenvolvidos daqui para clientes em Portugal, no Canadá e nos Estados Unidos. A Sharing é mais uma ideia que nasce na cidade a partir da identificação de uma necessidade”, destaca.
Com a plataforma ainda em fase de crescimento, a meta dos desenvolvedores é chegar a 50 mil usuários ativos. Até lá, novas funcionalidades devem ser incorporadas a partir das experiências e sugestões compartilhadas pela própria comunidade.
*Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli

