
“Uma infusão feita com a semente torrada e moída, contém cafeína e proteína. Planta maravilhosa, originária da Etiópia Abissínia”, conta Jorge Ben Jor. Na música “Café”, o compositor também se gaba de que “o preto”, os grãos trazidos de um cafundó, viraram ouro nas terras do Salgueiro. Para além dos morros cariocas, essas terras ainda podem ser lidas com maior extensão, atingindo o Brasil todo.
O brilho desse metal irradiou em diferentes rotas, subiu as montanhas altas, tocou toda a Serra do Caparaó e firmou raízes. A convite do Instituto Mundu, a Tribuna segue pelo Caparaó Mineiro, dessa vez explorando outras rotas de experiências em Alto Caparaó: os sítios, as fazendas, as cafeterias, os grãos de café e a bebida.
O retorno às terras
Foi nas terras que passaram por gerações de sua família e com o trabalho de suas próprias mãos que Clayton Monteiro se tornou cafeicultor da Fazenda Ninho da Águia. Nascido e criado em São Paulo, ainda jovem, mesmo sendo amante do mar e do surfe, decidiu retornar à fazenda de seus pais, no Alto Caparaó, para produzir café e, mais tarde, formar família com sua esposa, Rosângela Monteiro.
Como conta, antigamente, com o plantio em terreno plano, feito pela família, não colhiam bons frutos, pois “a geada vinha e queimava tudo”. Depois, já nos anos 1970, foram aos poucos plantando nos morros. Em meados dos anos 90, o regresso de Clayton trouxe um novo modo de cultivo de café para as terras da família. “Comecei a plantar mais, descobri um potencial de qualidade e comecei a focar em fazer café especial.”
Em 2014, o café especial produzido na Fazenda Ninho da Águia venceu o prêmio Coffee of the Year. Para além desse primeiro reconhecimento, os longos anos de trabalho no plantio, na colheita, na secagem, na torrefação e na moagem do café renderam diversas conquistas em premiações nacionais e internacionais. “Fomos os melhores de Minas Gerais umas quatro vezes e o melhor do Brasil duas vezes. Então foi aí que nos consolidamos. Nossa águia voou.”
De porteiras abertas ao turismo
“O café é a bola da vez, e o turismo rural e o ecológico sempre vão estar aqui. Temos todo um charme por estarmos em torno do Parque Nacional do Caparaó, vejo como um privilégio morar aqui na nossa região do Caparaó”, conta o cafeicultor que abriu as porteiras da Fazenda Ninho da Águia às Rotas de Experiências Caparaó Mineiro para mostrar os modos artesanais de trabalho.
Na propriedade, o turista pode visitar os cafezais e os terreiros, seja no chão ou suspensos, onde os frutos colhidos são expostos ao sol para secagem. Além de compartilhar conhecimentos sobre toda a cadeia de produção, a fazenda também oferece um espaço para degustação do café produzido em seus arredores. Servida ao visitante, a bebida ainda é acompanhada por um bolo de banana e bons dedos de prosa.
‘Vi essa paisagem e tinha que compartilhar com todo mundo’
Ainda no município de Alto Caparaó, o turista pode se deslumbrar com o Cristal Mirante, que também faz parte das Rotas de Experiências Caparaó Mineiro. Ao subir, o cenário é composto por uma bela vista do nascer e do pôr do sol, como também por uma perspectiva panorâmica para o Pico da Bandeira — situado na divisa entre Minas Gerais e o Espírito Santo, dentro do Parque Nacional do Caparaó.
Como parte da experiência, criada pelo casal Lucas e Claudia Huebra, o visitante pode também se deliciar com o café especial produzido ali e servido, em mesa posta, junto com bolos, queijos e doces.
“O Cristal Mirante é um sonho que nasceu em 2002. Sempre tive uma paixão pelo Pico da Bandeira que dá pra ver daqui. Um dia cheguei e vi essa paisagem maravilhosa e percebi que tinha que compartilhar com todo mundo”, conta Lucas Huebra.
