
Com as mudanças no setor educacional, por conta da pandemia da Covid-19, os estudantes precisaram se acostumar às novas modalidades de ensino. As aulas presenciais se tornaram remotas, e as instituições precisaram se reforçar, tecnologicamente, para continuar se sobressaindo no mercado. Faculdades que já possuíam o Ensino à Distância (EAD) no currículo conseguiram manter o ritmo imposto pela quarentena, já as que não tinham foco no ambiente virtual tiveram que se reinventar. Para isso, investiram em plataformas e treinamento para professores.
O EAD já estava em crescimento no Brasil, mas acabou sendo uma prática antecipada na educação básica, no ensino superior e em outras modalidades. A Faculdade Ensin.e, por exemplo, já estava ambientada no sistema on-line e não precisou ter adiamento das aulas e nem atraso de conteúdo. Segundo o coordenador do curso e mestre em Educação Física, Raphael Soares, a proposta da instituição é continuar inovando com a prática do EAD. “O nosso aluno já tinha acesso à plataforma para estudar através da trilha de aprendizagem, que nós trabalhamos. Nosso sistema ainda dá acesso a duas bibliotecas virtuais, que possuem em seu acervo vários livros que estão à disposição”, ressalta.
O EAD é uma tendência que veio para ficar. Além de proporcionar para o aluno autonomia na hora dos estudos, facilita assistir às aulas onde e como quiser. A flexibilização é um dos diferenciais desta modalidade e, através da plataforma da faculdade, o estudante pode tirar suas dúvidas e organizar sua grade conforme sua demanda.
Para a diretora administrativa da Faculdade Unopar, Raquel Franca Rodrigues, o próximo ano ainda será de adaptação. “Creio que a pandemia só acelerou o processo de informatização e de tecnologia na educação. Nós, que já trabalhamos com o ensino à distância, nos adaptamos muito rápido neste momento. Já tínhamos alunos que cursavam on-line e só vinham na unidade para fazer prova. Para o próximo ano, todos as instituições de ensino terão que se adequar a essa nova ferramenta”, afirma.
EAD x Ensino remoto
Desde 2006 oferecendo conteúdo on-line, a Faculdade Estácio é considerada uma das pioneiras em Ensino à Distância. Segundo o reitor da instituição Douglas Machado, as tecnologias de informação e de comunicação foram democratizadas, e também houve um significativo avanço nas metodologias que dão suporte ao EAD. “O modelo de ensino à distância da Estácio se caracteriza por respeitar a velocidade e a capacidade de aprendizagem de cada um dos seus estudantes e vem tendo excelente avaliação pelo MEC”, diz.
Sobre a modalidade ofertada durante o período de pandemia, que é o Ensino Remoto, o reitor explicou a diferença. “A Estácio conseguiu colocar no ar uma plataforma para que os alunos dos cursos presenciais pudessem continuar estudando, agora em casa, mas com os mesmos professores, horários e turmas do curso presencial. São cerca de cinco mil aulas por dia, ministradas para mais de 300 mil alunos. Para isso, investimos na ampliação da capacidade dos servidores e em uma plataforma mais leve”, informa Douglas.
2021: Educação personalizada
Os dados do censo de 2018/2019 feito pela Associação Brasileira de Ensino à Distância (ABED) apontou um aumento de 17,6% no número de matriculados em EAD em relação ao censo de 2017 e que, antes da crise da Covid-19, já existia uma expectativa de que mais de dois milhões de alunos fossem matriculados em EAD até 2023. Para Raquel Franca Rodrigues, a educação no próximo ano será personalizada. “Acredito que não vai ser nem presencial e nem totalmente on-line. Será uma educação híbrida, o aluno vai poder fazer sua carga horária virtual e ir na unidade para fazer as práticas”, opina.
Já o reitor da Estácio, Douglas Machado, acredita que somente as instituições com forte traço digital serão capazes de levar os alunos a um futuro que atenda seus desafios. “Com a pandemia, antecipamos investimentos em tecnologia e planos que estavam em desenvolvimento. O digital veio para ficar. Todos os campi da Estácio terão adaptações digitais. A sala de aula mudou, e, a partir da imersão digital provocada pela pandemia, a instituição revisitou seu modelo de ensino, inserindo atividades de campo e trazendo mais tecnologia para as mãos do professor e do aluno. A tecnologia digital, seja na sala de aula física ou virtual, está permitindo que os professores aprendam muito e desenvolvam habilidades importantes para trabalhar com os alunos agora e nos próximos anos”, finaliza.

