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Concursos públicos no segundo semestre somam mais de 54 mil vagas e salários de até R$ 34 mil

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(Foto: Ana Lívia Medeiros/Arquivo Pessoal)

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Pelo menos 54.842 vagas já estão confirmadas em concursos públicos que serão realizados no Brasil neste segundo semestre. Os salários chegam a R$34.279,28. As oportunidades contemplam candidatos de todos os níveis de escolaridade e estão distribuídas em diferentes estados. Ainda há outros certames com número de vagas a serem confirmadas por editais com publicação prevista até dezembro. Os dados são do levantamento feito pelo preparatório Qconcursos a pedido da Tribuna de Minas.

Em Minas Gerais, cinco concursos se destacam. Em 24 de agosto, tem início o prazo de inscrições para 30 vagas de Especialista em Políticas Públicas da Secretaria de Planejamento de Gestão (Seplag), cargo que tem remuneração de até R$5.226,60. O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-MG) confirmou a abertura de vagas para técnicos e analistas, com salários de R$ 9.776,71 e R$ 16.040,88, respectivamente. A Prefeitura de Belo Horizonte já formou a comissão organizadora de novo concurso para analista fazendário. Agora, o processo seletivo está em fase de definição de vagas e elaboração de edital. As oportunidades serão para nível superior. 

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O governador Mateus Simões anunciou 2, 5 mil vagas para a Polícia Militar, e o salário de referência é R$ 4.360,83. O Concurso Unificado de Minas Gerais também foi confirmado pelo governo estadual, com vagas para níveis médio e superior, e pode ocorrer ainda este ano.

Já no âmbito nacional, as seleções para Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Advocacia-Geral da União, Controladoria-Geral da União e Tribunais estão no radar dos concurseiros neste segundo semestre.

De acordo com o coordenador do Qconcursos, Luiz Rezende, o Banco do Brasil tem dado pistas de que um novo edital será publicado, como a realização de uma pesquisa interna sobre atribuições e competências para os novos funcionários e o anúncio de que o banco estaria em contato com comissões organizadoras de provas. Os concursos realizados em 2021 e 2023 tiveram, aproximadamente, um milhão e meio de candidatos inscritos, o que aumenta as expectativas para a seleção.

“Até agora, em 2026, nós não tivemos nenhum grande edital. Muitos bons editais federais e estaduais, mas nenhum edital gigantesco. E fora esses, tem um muito bom, que são 39 mil vagas separadas em vários editais para o IBGE, para o Censo sobre a população em condição de rua e rural”, analisa.

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Entre os certames que oferecem melhores salários estão Defensoria Pública do Rio de Janeiro, com remuneração entre R$10.986,95 e R$34.279,28; AGU, com valores de R$24.967,31 a R$32.449,52; e o Tribunal de Justiça da Bahia, que oferece o salário de R$31.975,77 para juiz. Com relação às maiores ofertas de vagas, estão os concursos para o IBGE, que somam 39 mil oportunidades, o INSS, com 10 mil; e a Secretaria do Estado de Saúde do Tocantins, com 5.124 cargos. 

Mulheres são maioria entre candidatos

Ana Lívia mantém rotina de estudos com foco na aprovação na área de comunicação pública (Foto: Arquivo pessoal)

Mulheres brancas, de 25 a 29 anos, solteiras, sem filhos, empregadas e com renda familiar de até três salários mínimos caracterizam o principal perfil dos concurseiros no Brasil, segundo dados do Censo dos Concursos 2026, realizado pelo Qconcursos. 

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A pesquisa também mostrou que, em média, os candidatos estudam de três a cinco vezes por semana e que o o tempo médio para aprovação é de dois anos, um mês e 14 dias.

Ana Lívia Medeiros, 32 anos, está entre os candidatos que buscam ingressar na carreira pública. Ela pretende fazer provas em Sabará – município localizado a 275 quilômetros de Juiz de Fora -, Passos – a 470 quilômetros – e no Rio de Janeiro – distante 185 quilômetros.

Formada em jornalismo, ela relata que busca oportunidades na área da comunicação pública. Em 2023, após ser demitida de forma traumática e se ver bastante vulnerável, decidiu prestar concursos.

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“Quando eu ia trabalhar numa empresa com interesses privados, muitas vezes, isso entrava em choque. E eu tenho muita dificuldade em abrir mão de alguns valores que, muitas veze,s em uma empresa privada você fica dividido. E como servidora, claro que eu terei também momentos de conflitos éticos pessoais muito grandes, mas o servidor tem, por conta da estabilidade, maior possibilidade, eu acredito, de fazer o que é certo”, defende. 

No seu terceiro ano de preparação, Ana Lívia conta que, no início, dedicava-se em tempo integral aos estudos. No entanto, para se manter, precisou optar por pegar alguns trabalhos como freelancer para conciliar estudos, despesas e viagens para realizar as provas. A dedicação para os processos seletivos é intensa: a jornalista estuda, pelo menos, duas horas todos os dias.

Mas o tempo em frente aos livros não foi a única mudança necessária: desde a alimentação e a rotina de exercícios físicos até o tempo de lazer, Ana Lívia adaptou sua agenda para estar mais disposta e preparada quando o processo seletivo chegar. A família da concurseira também possui um papel fundamental nesta trajetória. “Ele [o apoio] aparece no entendimento do momento que eu vivo, ele aparece, querendo ou não, num apoio financeiro quando é necessário. Ele aparece em livro, em material, em saber que vai rolar algum concurso, ‘quem sabe dá para você’”, reconhece.

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Em busca da aprovação, rotina deve ser equilibrada

Estabilidade, bons planos de carreira e menor tempo de contribuição para aposentadoria estão entre os principais atrativos dos concursos para Samuel Nascimento (Foto: Arquivo pessoal)

Samuel Nascimento, 28 anos, se prepara para o concurso do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, mas conta que acompanha e também se interessa por certames relacionados à segurança pública e psicologia educacional, sua área de formação.

Para ele, os atrativos dos concursos incluem estabilidade, bons planos de carreira e menor tempo de contribuição para poder acessar a aposentadoria. Mas engana-se quem acredita que não há identificação com a área. “Além de poder exercer uma profissão que tenha um impacto direto na vida das pessoas, né? Questões de proteção à vida, prevenção e atendimento à população, sabe?”, propõe Samuel.

Equilibrando uma rotina de trabalho, estudos e atividade física, ele reconhece a importância da disciplina: “aprendi que a disciplina costuma ser mais importante do que estudar muitas horas em um único dia. Se você conseguir estudar todos os dias, o mínimo que for, acho que a gente já consegue ter um resultado positivo”.

Samuel afirma que evitar comparações no processo de preparação é fundamental. Apesar das dificuldades para conciliar todas as tarefas e de eventuais desmotivações, o caminho inclui reconhecer que “cada pessoa tem uma realidade, cada pessoa tem um jeito de viver diferente, cada um tem uma oportunidade na vida, tem as suas dificuldades, então comparações com os outros costumam atrapalhar mais do que ajudar”, analisa.

Como se preparar para concursos

Se por um lado não falta vontade para os concurseiros, por outro, a preparação e adequação às provas deve estar em constante construção. Luiz Rezende afirma que a principal dica é não aguardar a publicação do edital para estudar.

“O estudo tem que ser antes do edital, porque o conteúdo programático é cada vez mais denso. Então, é você pegar o último edital e ir estudando. Quando for publicado – a prova acontece cerca de três meses depois -, você só ir refinando os estudos”,orienta.

Outras estratégias importantes incluem estudar com questões de provas anteriores, para conhecer o estilo da banca. “Outra dica é ter um cronograma de estudos bem definido, sem ficar escolhendo disciplina, sem ficar estudando de forma empírica, porque um planejamento de estudos é fundamental”, pontua o especialista.

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