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“O Flamengo está em outro patamar”

Por Juliana Netto

28/11/2019 às 07h02 - Atualizada 28/11/2019 às 12h00

Tentei buscar outro assunto para a coluna de hoje, mas, com o insucesso da investida, seguirei na “FlaPress” que abastece os veículos de comunicação nos últimos dias e movimenta os bate-papos nos mais diferentes locais: na redação, nas filas de supermercado e, ontem, até mesmo na minha aula de pilates, com senhorinhas que, até então, nunca haviam falado sobre futebol.

Antes que o título da coluna sugira que eu concorde com a colocação de Bruno Henrique, após o empate com o Vasco antes da viagem a Lima, destaco que farei ressalvas à fala do camisa 27. Em meio a dois títulos no mesmo fim de semana, ao amplo poder das redes sociais e a uma imprensa eufórica, controlar o que se fala – e o que se faz fora de campo – talvez seja um dos maiores desafios dos jogadores do plantel flamenguista e de seus assessores, responsáveis pelo media training dos atletas.

Que BH me perdoe, mas vou adaptar um pouco sua declaração. De um tempo pra cá, o Flamengo está sim em outro patamar. Mas em relação a si mesmo.

Torcedora rubro-negra assumida, minha primeira lembrança de título é de 1999, de um Carioca conquistado com gol de falta de Rodrigo Mendes. Nestes 20 anos, no entanto, muitos foram os momentos em que o nível não foi dos melhores: fracas participações em Brasileirões, algumas com riscos iminentes de rebaixamento; sintonia às vezes pouco afinada com torcedores, que muitas vezes recebiam mal a delegação nos aeroportos; algumas contratações milionárias, mas quase sempre mal sucedidas; dívidas; salários atrasados; dirigentes falastrões e pouco efetivos.

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Em algumas temporadas, quando a contratação de um treinador de expressão parecia colocar o time em um status melhor, pouca coisa, de fato, acontecia. Vide Mano Menezes, Reinaldo Rueda, Muricy Ramalho e, mais recentemente, Abel Braga. Curiosamente, neste recorte de duas décadas, os títulos mais importantes vieram com comandantes bem conhecedores do universo da Gávea, como Carlinhos, na Mercosul de 1999; Andrade, no Brasileirão de 2009; e Jayme de Almeida, na Copa do Brasil de 2013.

Quando o ano começou, com a chegada de Arrascaeta, Gabigol, Bruno Henrique e, meses depois, Rafinha, Filipe Luís, Gerson e Jorge Jesus, acreditava eu que, por todo o contexto do passado, teríamos um deja vu.

Mas não. Jogadores caros, talentosos, poucos cria da Gávea, brancos – curiosamente talvez este seja um dos elencos com menor concentração de negros na equipe -, nas mãos de um técnico europeu, em um clube que hoje tem uma estrutura de ponta, que voltou a levar milhares e milhares de torcedores ao Maracanã – não mais a Nação do passado que, com os novos preços dos ingressos, foi elitizada.

Em relação a si mesmo, realmente o Fla vive outro patamar. Naturalmente que também, de forma respeitosa, isso também o coloca em uma melhor situação em comparação com alguns rivais. Basta analisar dentro do próprio clube estas situações que o fazem, em 2019, ser muito superior àquele de 1999.

Juliana Netto

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