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Chorar no começo para sorrir no fim

Por Juliana Netto

27/06/2019 às 07h10 - Atualizada 26/06/2019 às 17h25


Terminando a participação brasileira na Copa do Mundo da França, encerro por aqui também meus textos sobre o Mundial feminino. Até porque na semana que vem estarei aproveitando meus primeiros dias de férias curtindo as partidas decisivas da competição, no conforto do meu sofá.

Antes disso, para não dizer que fugi do assunto após as brasileiras darem adeus ao torneio, retorno ao dia 9 de maio, quando citei pela primeira vez o torneio aqui na coluna. Naquele dia, escrevi que a disputa na França poderia mudar o patamar do futebol feminino verde-amarelo.

Obviamente que a Seleção poderia ter ido além: se Debinha tivesse feito o gol naquele finzinho de primeiro tempo de prorrogação; se a defesa brasileira, aliada às substituições de Vadão, não tivesse vacilado naquela partida contra a Austrália. Como também podíamos ter sido eliminadas caso a Itália tivesse resolvido jogar um pouco mais naquela terceira e última partida da fase de grupos. Como a eliminação poderia ter sido com um 3 a 0, tão doloroso quanto aquela final de Copa masculina em 98.

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Por tudo que se viu em campo, é notória a necessidade de evolução. Na convocação, na formação de novas atletas de referência, que em breve terão que substituir Marta, Cristiane, Formiga. Na equiparação de estrutura e de salários. No fortalecimento do futebol feminino como modalidade vinculada à CBF.

No fim, ser eliminada pelas donas da casa, com um gol de bola parada, foi um roteiro previsível. E digno.

Por mais que a história das nossas atletas inspirem e atraiam ainda mais nossa torcida, o futebol feminino brasileiro ainda não está maduro o suficiente para a conquista de uma Copa do Mundo. E terminar a participação nas oitavas, de certa forma, não é injusto.

A mudança de patamar, mesmo que pequena, aconteceu. Nunca um mundial feminino chamou tanta atenção. Mas, usando a frase citada por Marta, é preciso chorar no começo para sorrir no fim. E o que se viu em 2019 é apenas o início de um processo que, lá na frente, pode terminar com um saldo muito melhor para nossas meninas.

Juliana Netto

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