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Esporte e inclusão, por que não?

Por Juliana Netto

26/09/2019 às 07h10 - Atualizada 26/09/2019 às 07h11

Para quem está acostumando a ler os textos desta coluna às quintas-feiras, digamos que choverei no molhado reiterando o poder do esporte para além das competições em si. Mas três episódios ocorridos nos últimos dias fazem-me retomar a este pensamento de que “não é só futebol” e, no caso de hoje, também “não é só corrida”.

Comecemos com Gabigol, que também não deixa de ser assunto repetido por aqui. Mas não só o Gabigol artilheiro do Brasileirão, recém-convocado para a Seleção de Tite. No sábado, ao abrir o placar no Mineirão contra o Cruzeiro, o camisa 9 rubro-negro não só diversificou seu leque de finalizações, empurrando desta vez a bola de cabeça para o fundo das redes, como, diante da impossibilidade de segurar sua famosa plaquinha, variou mais uma vez sua comemoração. No fim das contas, o “hoje tem gol do Gabigol” celebrado na língua brasileira de sinais, no mês de setembro, que alerta para a inclusão dos surdos e das pessoas com deficiência auditiva, foi uma tremenda bola dentro, que repercutiu e despertou, mesmo que momentaneamente, a atenção para a causa.

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Dois dias depois, Silvia Grecco e o pequeno Nickollas, de 11 anos, palmeirense cego, que acompanha as partidas do Alviverde ao olhos da mãe no Allianz Parque, brilharam na premiação do Fan Award 2019, em Milão, oferecido durante o evento que homenageou os melhores do ano no futebol. Em seu discurso, a mãe do garoto clamou por amor, respeito e inclusão, ressaltando no quanto o futebol pode transformar a vida as pessoas.

No mesmo dia, à noite, eis que recebo no celular uma foto de uma pequena juiz-forana, que, pela primeira vez, participara de uma corrida de rua. Ao vencer uma das categorias infantis da 9ª Corrida Camilo dos Santos no sábado, a jovem, ainda na segunda, estampava no pescoço, para seus amigos de escola municipal, a medalha recebida durante o evento, um dos que mais valorizam os talentos mirins entre todos os realizados no ranking de rústicas da cidade. Ao ter a possibilidade de participar gratuitamente, receber o kit completo da prova e sair de seu pequeno mundo na Zona Norte, o horizonte se abriu e ela começou a se enxergar como uma fundista nos próximos anos. Uma medalha que, no universo das mais de duas mil oferecidas após a linha de chegada de todos que completaram seus percursos, por si só, já fez a corrida ter valido a pena.

E de exemplos em exemplos as perspectivas vão aumentando e mostrando que o clichê  de que “não é só [modalidade esportiva]” realmente se aplica.

Juliana Netto

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