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O racismo no esporte. Em pleno 2019

Por Juliana Netto

21/11/2019 às 07h10 - Atualizada 20/11/2019 às 20h45

“Em pleno 2019”. Entre um assunto e outro durante o café e em algumas rápidas pausas na redação na última terça, eu e alguns colegas observamos quantas vezes repetimos esta frase, algo em torno de quatro em umas três horas. Lamentavelmente, “em pleno 2019” também é uma expressão que ainda muito se aplica ao universo esportivo. Mesmo com várias ações durante o mês de novembro, em lembrança ao Dia da Consciência Negra, celebrado ontem, casos recentes nos estádios evidenciam a triste realidade de que também estamos muito atrasados no respeito aos atletas negros.

Em Belo Horizonte, torcedores do Atlético, um alviNE-GRO, fazendo injúrias a um funcionário do estádio devido à cor de sua pele. Na Ucrânia, para não dizer que o problema é só no Brasil – onde muitos, na nossa cultura de vira-latas, acreditam ser um país completamente atrasado em relação a todos os outros – Taison e Dentinho choraram jogando futebol. Não de tristeza pelo resultado da partida, por uma lesão, por uma má atuação ou por algo do jogo, mas por ouvirem xingamentos racistas vindos das arquibancadas. Em pleno 2019!

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Após os casos ganharem repercussão, como o de BH, os agressores irão pontuar as trivialidades de sempre: palavras ditas no calor do momento, dentro de um estádio – que, neste contexto, passam a ser locais livres de qualquer conduta humana e civilizatória -, sob efeito de álcool. Rasas desculpas. Tão básicas como lembrar que, no Brasil, poucos são os clubes que não têm o preto em seus uniformes ou distintivos. Que no esporte como um todo, raríssimas são as modalidades que não têm negros em destaque. No atual plantel atleticano: Elias, Cazares, Chará, Leonardo Silva… Dos ídolos do passado: Reinado, Dadá Maravilha, Ronaldinho Gaúcho, um dos responsáveis por dar ao clube mineiro o maior título de toda a sua história, a Libertadores 2013. No esporte como um todo, sem forçar demais a lembrança: Daiane dos Santos, Anderson Silva, Rafaela Silva, Usain Bolt, Michael Jordan, Paul Tergat, Serena e Venus Williams, Simone Biles, Lewis Hamilton. Pelé!

Um duro golpe para nós, que, dia após dia, ainda lemos o de sempre. Para o esporte, caminho pelo qual tantos jovens caminham na busca por pertencimento. Para atletas, que, ao invés de serem questionados pelo desempenho, ainda são julgados pela pigmentação da pele. Uma dor que eu não consigo imaginar ao me colocar diante de quem sofre as injúrias.

Não foram os únicos episódios. Vergonhosamente não serão os últimos. Isso em pleno 2019, ano que caminha a passos largos para o fim. Diferentemente da luta pelo preconceito, que ainda anda bem vagarosamente.

Juliana Netto

Juliana Netto

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