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‘Depressão Sem Tabu’ também no esporte

Por Juliana Netto

19/09/2019 às 07h02 - Atualizada 19/09/2019 às 07h02

Crianças entraram com camisa da campanha e girassóis que seriam entregues à torcida antes do início da partida (Foto: Alexandre Vidal e Paula Reis/Flamengo)

Maracanã lotado, torcedores empolgados pela entrada de Flamengo e Santos em campo e, de repente, girassóis roubam a cena em meio às camisas rubro-negras e alvinegras. Girassóis amarelos, flor símbolo da campanha “Na Direção da Vida – Depressão Sem Tabu”, iniciativa que faz parte do movimento mundial Setembro Amarelo, dedicado à prevenção do suicídio e à atenção a outras doenças de saúde mental. Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde, em 2016, ano da mais recente pesquisa sobre o assunto no Brasil, a taxa de autoextermínio havia aumentado 7% em comparação a 2010. Três anos depois, em um mundo cada vez mais acelerado e menos empático, torna-se ainda mais necessário ter atenção a estes números e, sobretudo, a quem está por trás deles.

Por mais que os girassóis tenham sido uma ação rápida durante o protocolo de entrada das equipes, a correlação com o esporte é muito pertinente. Afinal, é do esporte que muitas vezes surgem os escapes para as aflições de ordem psíquicas. Seja no sofá de casa ou no barzinho, na arquibancada dos estádios ou na pelada com os amigos, o futebol torna-se aquela válvula para aliviar a pressão do dia a dia. Assim como o vôlei, o tênis, a bike, a natação, as corridas de rua – que ganham novos adeptos a cada dia – e tantas outras modalidades, liberam endorfina, adrenalina, serotonina, substâncias bem mais saudáveis do que os antidepressivos.

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Óbvio que, principalmente no esporte de alto rendimento, vide exemplos clássicos como Michael Phelps, Diego Hypolito, Rafaela Silva, Poliana Okimoto e Robert Enke, goleiro alemão que tirou sua própria vida em 2009, fama, pressão, necessidade de bons resultados, além de outras questões particulares, podem contribuir para uma sabotagem mental, adendo que pode ser assunto para várias outras colunas mostrando o quanto o esporte – entretenimento para o público geral – é cruel com suas estrelas, que abdicam de toda uma vida para se dedicar integralmente às suas performances.

No entanto, do ponto de vista geral, os girassóis presentes sábado no Maracanã – tão belos quando a pintura de Gabigol – não só ajudaram a colorir a festa flamenguista, como tocam em um assunto que precisa deixar de ser tabu. Diferente das divergências em torno do placar da partida, da liderança do Fla neste primeiro turno de Brasileirão, dos possíveis títulos que o rubro-negro pode ou não conquistar com essa afinada equipe de Jorge Jesus, a saúde mental é assunto unânime, que precisa ser discutido por todas as agremiações. Para o bem do esporte, para o bem de quem o pratica e para o bem de todos os torcedores.

Juliana Netto

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