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Maria, Maria

Por Juliana Netto

12/03/2020 às 07h20 - Atualizada 12/03/2020 às 09h58

Domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, data mundialmente conhecida. Segunda, 9, Dia do Corredor, celebração também bastante difundida pelos praticantes das provas de rua. Na coluna de hoje, aproveitarei o espaço para juntar os dois assuntos. Como? Dividindo com vocês a história de uma amiga, mulher como tantas outras – mãe, trabalhadora, dona de casa – que, através da corrida, se transformou.

Em 2009, Maria, pseudônimo que darei a ela, tal como algumas mulheres, viveu o sofrimento de uma separação. Nos conhecemos no trabalho nesta época e, naquele período, ela, embora alegre, bonita, elegante e muito divertida, vivia internamente toda a insegurança que um divórcio – ainda mais com filhos pequenos – pode provocar.

Aos poucos, como uma borboleta no casulo, ao conhecer a corrida, ela foi se transformando. Do quarto escuro ocupado nas tardes de sábado, passou a frequentar o museu, a Avenida Brasil, a UFJF, a Via São Pedro. A caminhada virou trote, o trote virou corrida um pouco mais acelerada, as corridas transformaram-se em provas e assim ela foi evoluindo no esporte. E na vida. Os filhos crescendo, a separação cada vez assunto menos recorrente nos nossos encontros e a rotina fluindo.

Em 2017, aos 37 anos, Maria fez sua primeira maratona. Dias depois, fui até até a casa dela para ver a medalha e ouvir toda a história por trás daqueles inéditos 42km: a prova, os treinos, a difícil missão em encaixar casa, filhos, trabalho e mais horas e horas de preparação para uma prova tão desgastante.

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Muitos chegaram a criticar essa sua fase atleta. “Uma mãe sair cedo para correr e deixar os filhos adolescentes em casa, sozinhos? Só pode ser ‘louca'” (se você corre, com certeza, mesmo não sendo mãe, já deve ter recebido algum julgamento por ser ‘louca’).

Mas, sem dar bola para isso, lá estava ela se sentindo plena, superpoderosa e traçando novos objetivos. Começou a nadar, a pedalar e a se dedicar aos treinos de triathon. Seu sonho atual? Fazer um meio Ironman.

Não tenho a menor dúvida de que ela – parada por conta de um acidente e agora mãe de um filho universitário (a louca que deixava ele em casa sozinho agora comemora sua aprovação no curso de medicina) – alcançará tal feito. Sua força de mulher, somada ao fator esporte, faz ela superar qualquer barreira.

Foi assim com essa Maria. E é com tantas outras. Nesta semana da mulher e do corredor, nada mais justo do que prestar uma homenagem a todas essas Marias que se (re)constroem com os pés dentro de um par de tênis. E com a cabeça livre para chegarem onde quiserem.

Juliana Netto

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