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Clitóris pode ser importante para a fertilidade

Por Marcelo Condé

20/12/2021 às 14h53 - Atualizada 20/12/2021 às 14h53

Uma pesquisa do médico britânico Roy Levin, publicada na revista Clinical Anatomy, sugere que, para além de sua função sexual de dar prazer à mulher, o clitóris tem também uma função reprodutiva. Segundo o texto, “a estimulação do órgão durante a relação sexual ativa o cérebro para gerar uma série de alterações no trato reprodutivo feminino. Essas mudanças ajudam o corpo da mulher a receber e processar espermatozóides e possivelmente ter um óvulo fertilizado”.

Uma das principais alterações acontece na posição do colo do útero, mas a estimulação do clitóris também melhora o fluxo sanguíneo na região, evita dores durante a penetração e, ainda, aumenta a lubrificação, a temperatura vaginal e os níveis de oxigênio. Levin analisou mais de 15 estudos sobre o assunto e afirma que “a reavaliação das funções do clitóris, tanto reprodutivas quanto recreativas, é muito importante e inevitável a partir de agora”.

Segundo Levin, essa é uma medida essencial para que a fertilização sejam bem-sucedida. “O mantra de que a única função do clitóris é induzir o prazer sexual agora está obsoleto. O clitóris tem funções procriativas (reprodutivas) e recreativas (prazer) de igual importância”, disse o especialista. “Todas essas alterações genitais são de grande importância para facilitar a possibilidade de sucesso reprodutivo, não importa como ou quando o clitóris é estimulado.”

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Levin considera que o clitóris teve “sua função reprodutiva negligenciada” por muito tempo, mas que seu estudo não quer determinar que o prazer feminino está em segundo lugar. “O objetivo reprodutivo não supera o papel do órgão na produção de prazer sexual”, afirmou.

O cientista também aproveitou os resultados de sua pesquisa para criticar a mutilação genital feminina (MGF) – prática de mutilar ou remover o clitóris, geralmente feita em meninas jovens, frequentemente em regiões da África, Oriente Médio e Ásia. A MGF é realizada para tentar impedir que mulheres façam sexo antes do casamento ou fora do matrimônio.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a prática não traz benefício algum e causa apenas danos, como dor, sangramentos, problemas urinários e, em alguns casos, até a morte. Além do trauma físico e psicológico, Levin observa que a MGF também pode criar uma deficiência reprodutiva.

Marcelo Condé

Marcelo Condé

Ginecologista e obstetra, especialista em medicina estética, com atuação nos hospitais Albert Sabin, Monte Sinai, Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora e Hospital Unimed. Integrante da Associação Brasileira de Cosmetoginecologia

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