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“Os grupos subalternos também fizeram as suas leituras políticas”, aponta Marcos Ferreira de Andrade

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marcos ferreira de andrade
O historiador Marcos Ferreira de Andrade comanda, na UFJF, a roda de conversa “Literatura e memória da revolta dos escravos de Carrancas”. Na ocasião, apresentará “Caramurus negros”, livro em que recupera a história da insurreição de pessoas escravizadas ocorrida em 13 de maio de 1833, na região de Carrancas, sul de Minas Gerais- Foto: Divulgação
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Trinta e três pessoas mortas: vinte e um escravizados, nove membros de uma família senhorial ligada a um importante  grupo político do sudeste escravista dos idos do século XIX, um agregado e uma “pessoa de cor”. Esse é o saldo da Revolta de Carrancas, um levante que ocorreu no dia 13 de maio de 1833, nas fazendas Campo Alegre e Bela Cruz, localizadas na antiga Freguesia de Carrancas, na Comarca do Rio das Mortes. De acordo com o historiador e professor da Universidade Federal de São João Del-Rei, Marcos Ferreira de Andrade, responsável por uma pesquisa profunda a respeito dessa insurreição, que foi registrada no livro “Caramurus negros: a revolta dos escravos de Carrancas” (Chão Editora, 256 páginas), o episódio “resultou na maior punição à pena de morte da história da escravidão brasileira de que se tem notícia.” 

Lançando mão dos relatos dos insurgentes interrogados, do depoimento de testemunhas, do libelo acusatório e do auto de corpo de delito indireto, Marcos reconstrói o momento em que os membros da poderosa família Junqueira foram assassinados. A cena que emerge dessa documentação se passa numa manhã de segunda-feira. Aparentemente, era um dia normal. Ao que tudo indica, quatro escravizados da Fazenda Campo Alegre trabalhavam na roça, como de costume. Entre eles, estava Ventura Mina, tido como o líder da rebelião que estava prestes a acontecer. Foi então que, de surpresa, atacaram Gabriel Francisco de Andrade Junqueira, filho do deputado Gabriel Francisco Junqueira.

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“É possível imaginar a dramaticidade da cena: o ‘senhor moço’ estirado e morto no chão, sangrando muito em virtude dos golpes que recebera. O pior estava por vir”, conta o professor, referindo-se ao que aconteceria em Bela Cruz, onde Ventura Mina e os demais se uniram a um grupo bem maior de escravizados e executaram todos os brancos que lá viviam, “inclusive três crianças, uma delas de poucos meses de idade.” Quanto aos que passaram a se autointitular Caramurus, cinco deles morreram durante os ataques e a resistência armada. Outros 16 foram condenados à morte, sendo enforcados em praça pública. 

“Os grupos subalternos também fizeram as suas próprias leituras políticas e alguns deles colocaram os seus projetos em prática, como ocorreu com os escravos de Carrancas. A leitura política que fizeram da Sedição Militar de 1833 foi crucial para que os caramurus negros de Carrancas tentassem conquistar a liberdade no confronto direto com os seus senhores”, afirma o historiador, que comandará a roda de conversa “Literatura e memória da revolta dos escravos de Carrancas”, programada para quarta-feira (19) e quinta-feira (20), na Universidade Federal de Juiz de Fora. No primeiro dia, será realizada às 19h, no Anfiteatro do Instituto de Ciências Humanas, com organização do Laboratório de História Econômica e Social e do Laboratório de História Oral e Imagem/Afrikas, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em História da UFJF. Já no segundo dia, o bate-papo ocorrerá no Auditório da Faculdade de Letras, a partir das 19h, como Aula Inaugural do Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários. Os encontros serão abertos à comunidade.

“Caramurus negros: a revolta dos escravos de Carrancas” está disponível no site da Chão Editora e nas principais livrarias e plataformas digitais.

— Você afirma, no livro, que os caramurus eram um grupo político identificado com posições conservadoras e absolutistas. Gostaria que você explicasse para os leitores da coluna Sala de Leitura como essa denominação passou a ser associada aos escravizados envolvidos na revolta. O que essa apropriação do termo revela sobre o contexto da época? 

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A origem do termo “Caramuru” remete à conhecida história do português Diogo Álvares Correia, que sobreviveu a um naufrágio no litoral da Bahia, por volta de 1510. Teria sido salvo da captura dos tupinambás depois de disparar seu arcabuz e matar um pássaro e passou a ser identificado como “homem do fogo”, “filho do trovão” (acepções do termo caramuru na língua tupi). Passou a ser admirado pelos indígenas e casou-se com a lendária Paraguaçu. Tornou-se um mito da fundação do Brasil, imortalizado na literatura, no poema “Caramuru”, de Santa Rita Durão. Mas, para a história, Diogo Álvares Correia tornou-se um importante aliado da Coroa portuguesa e dos jesuítas no projeto colonizador. No pós-independência e, sobretudo no início dos anos 1830, o termo “Caramuru” passou a ser utilizado pelo grupo político aliado ao imperador D. Pedro I, identificado com posições conservadoras e absolutistas. O período das Regências (1831-1840) foi marcado por revoltas, motins, sedições e insurreições de grande repercussão. Entre os agrupamentos políticos, destacaram-se três: liberais moderados (monarquistas constitucionalistas), liberais exaltados (monarquistas constitucionalistas e defensores de ideias republicanas) e caramurus (também conhecidos como restauradores – alguns deles tinham a expectativa de que D. Pedro I restaurasse o seu trono no Brasil tão logo resolvesse o problema da sucessão do trono em Portugal). Na capital da província de Minas Gerais, ocorreu a Revolta do Ano da Fumaça (ou Sedição Militar), quando os caramurus tomaram o poder na cidade de Ouro Preto por um período de dois meses — 22 de março a 23 de maio de 1833. Pesou sobre o negociante Francisco Silvério Teixeira a acusação de incitar os escravos à insurreição ao espalhar o boato de que os caramurus haviam abolido a escravidão em Ouro Preto e estavam lutando a favor dos escravos. E os liberais moderados que haviam sido alijados do poder naquele momento mantinham a escravidão de forma ilegal. Alguns membros da família Junqueira e aparentados da região de Carrancas pertenciam ao grupo liberal moderado, com destaque para o deputado Gabriel Francisco Junqueira, que se encontrava na cidade do Rio de Janeiro quando parte de seus escravos deu início ao levante na fazenda Campo Alegre e mataram o seu filho. Posteriormente se uniram aos escravos da fazenda Bela Cruz e mataram o irmão do deputado e todos que ali residiam. Os escravos fizeram uma leitura própria e possível daquele contexto de cisão entre as elites. Acreditaram que a escravidão havia sido abolida em Ouro Preto, embora isso estivesse fora de questão para a sociedade daquela época. Acabaram se autodenominando caramurus e mergulharam numa luta dramática, mas não menos importante, para conquistar os seus projetos de liberdade. Os boatos de libertação do cativeiro foram determinantes para dar início a vários planos e tentativas insurrecionais arquitetadas pelos escravos nas Américas. Não se trata de um caso particular da Revolta dos escravos de Carrancas. 

— E por que você decidiu contar essa história?

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Gostaria de ressaltar que essa história só pode ser contada graças à descentralização do ensino superior e o investimento público em pesquisa científica. Pude tomar conhecimento do que batizaria alguns anos mais tarde como a Revolta dos escravos de Carrancas, através da participação, como bolsista de aperfeiçoamento, no Projeto de Pesquisa Catalogação e Indexação de Processos Criminais da Antiga Comarca do Rio das Mortes Século XIX. O Projeto foi coordenado pelos professores Maria Tereza Pereira Cardoso e Ivan de Andrade Vellasco e contou com a participação de seis bolsistas: dois de aperfeiçoamento e quatro de iniciação científica. O projeto foi desenvolvido entre 1992 e 1994, na antiga Fundação de Ensino Superior – Funrei, atual Universidade Federal de São João del-Rei.  O acervo do fórum da Comarca de São João del-Rei se encontrava no Museu Regional de São João del-Rei na época. Atualmente, ele faz parte do Arquivo Histórico do Iphan – Seção São João del-Rei. Dentre os processos catalogados, logo no início do trabalho, destacou-se o processo-crime sobre a Revolta de Carrancas, que depois foi objeto de investigação e análise da minha dissertação de mestrado, defendida na UFMG, em setembro de 1996. Em 1998/1999, publiquei o primeiro artigo acadêmico sobre a história do levante, na Revista Afro-Ásia, da Universidade Federal da Bahia. Tratava-se de uma história completamente desconhecida dos estudos históricos até então, sobretudo da resistência e das rebeliões escravas. Já naquela época, procurei demonstrar como o levante estava conectado com a macropolítica do Império, como os escravos se apropriaram de uma das identidades políticas das elites em disputa e fizeram uma leitura política própria. Destaquei ainda a repercussão entre as elites políticas e escravistas da Regência, que resultou na maior punição à pena de morte da história da escravidão brasileira de que se tem notícia. Dos 31 escravos que participaram da insurreição, 16 foram condenados à pena máxima e foram enforcados na vila de São João del-Rei. 

— Ao reconstruir a Revolta de Carrancas, você apresenta diferentes elementos que ajudam a compreender sua eclosão. Como esses fatores se articularam para que a revolta acontecesse? 

No caso, é preciso se ater muito ao contexto histórico. Essa é uma expressão chave que é quase um vício de linguagem nos nossos textos. É fundamental se ater ao contexto histórico do acontecimento e personagens estudados. Isso se faz através da análise das fontes históricas, que são de ordem e tipologias diversas (manuscritas, impressas, iconográficas, orais, etc.), para nos aproximarmos do evento e sujeitos estudados em diálogo com a produção historiográfica sobre o período e o tema investigados. Sem todos esses cuidados, corre-se um sério risco de produzir leituras anacrônicas e simplistas do passado. A Revolta dos escravos de Carrancas está diretamente ligada ao período de construção do estado imperial brasileiro. Havia pouco mais de uma década que o Brasil se tornara independente. Foi um tempo de revoltas e disputas políticas entre distintos segmentos sociais em toda a extensão do Império. Algumas foram designadas, como revoluções, rebeliões, sedições e insurreições, como definia o código criminal da época, interpretadas como “crimes contra a ordem pública”. Uma insurreição de escravos, por exemplo, constituía um crime contra a ordem escravocrata e a ordem pública e era severamente punida como foram as de Carrancas-MG, Malês-BA e Manuel Congo-RJ, só para ficar em alguns exemplos. Havia uma disputa em torno dos significados da cidadania e da liberdade. E os grupos subalternos também fizeram as suas leituras políticas próprias e alguns deles colocaram os seus projetos em prática, como ocorreu com os escravos de Carrancas. A leitura política que fizeram da Sedição Militar de 1833 foi crucial para que os caramurus negros de Carrancas tentassem conquistar a liberdade no confronto direto com os seus senhores.

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— Você afirma que, na primeira metade do século XIX, houve um incremento da escravidão jamais visto na história do país. Quais são as causas disso? 

A princípio, o que pode parecer contraditório, mas não é, foi justamente, no final do século XVIII, e especialmente na primeira metade do século XIX, quando o sistema escravista passou a ser alvo de questionamento e de crítica, que a escravidão se intensificou nas Américas, especialmente no Brasil e Caribe. O incremento da escravidão e do tráfico Atlântico de escravos foi crucial nesse período e está ligado a questões de ordem econômica para a exportação e também para o mercado interno. Na primeira metade do século XIX, só o porto do Rio de Janeiro recebeu mais de um milhão de escravos africanos traficados. A Inglaterra já havia abolido o tráfico em suas colônias, em 1807, e desencadeou uma campanha internacional pelo fim do tráfico atlântico de escravos. No caso brasileiro, destaca-se a lei de 7 de novembro de 1831, que abolia o tráfico e que teve um impacto nos primeiros anos de sua aprovação, mas que depois foi sistematicamente ignorada e teve um efeito contrário e intensificou a entrada anual de cativos no país por quase duas décadas. O tráfico atlântico de cativos só vai ser efetivamente abolido com a Lei Eusébio de Queiroz em 1850.  

— Além da punição mortal, houve também um quase silenciamento da Revolta de Carrancas na imprensa e nos discursos parlamentares. Por que isso aconteceu? 

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Isso se explica porque a Revolta de Carrancas ocorreu num contexto muito particular da história do Brasil Império. Os escravos atentaram contra a elite senhorial e tentaram obter a liberdade por meio da força, com extrema violência contra seus senhores, e com uma leitura política muito própria daquele contexto. Os escravos mataram nove membros de uma família senhorial ligada ao agrupamento liberal moderado, o grupo político mais importante do sudeste escravista. Gabriel Francisco Junqueira era aliado político de figuras de proa do Império como, por exemplo, Bernardo Pereira de Vasconcelos e Evaristo Ferreira da Veiga. A revolta teve grande impacto na macropolítica imperial e ocorreu num contexto de intensificação e expansão do escravismo. A Regência entendeu que era necessário punir exemplarmente os insurgentes no local onde aconteceu a Revolta. E precisamos entender que a revolta também ocorreu numa área rural. Dar publicidade a esse fato, seja na imprensa e/ou no parlamento, era um risco enorme em um período conturbado da história política e escravista. Minas Gerais era a província que detinha a maior população escrava do Império. A região cafeeira paulista e fluminense estava em expansão e dependia majoritariamente do trabalho escravo. Então publicizar a revolta seria o risco de fomentar novos levantes. Essa estratégia de silenciamento ocorreu também em outras sociedades escravistas das Américas.

— Na pesquisa que resultou no livro, você  trabalhou principalmente com autos de processo. Esses documentos realmente permitem ouvir a voz dos escravizados ou ouvimos apenas uma versão filtrada pelas autoridades e pelos escrivães que registraram seus depoimentos?

Os grandes historiadores, como Marc Bloch, nos ensinam que os testemunhos devem ser inquiridos, problematizados, para que possamos ir além dos dados e do que está escrito nos documentos. Ou se quisermos nos reportar ao filósofo Walter Benjamin, em teses sobre o conceito de História, para conseguirmos escrever a história dos grupos subalternos e marginalizados, é preciso “escovar a história a contrapelo”. Trata-se de um exercício rigoroso de investigação das fontes oficiais, normativas, como um processo-crime, por exemplo, e numa leitura crítica delas. Consiste em um exercício de interpretar o que é dito, as lacunas, os silêncios, as formas como foram constituídas, os discursos e agentes ali presentes. Tudo isso se faz também com intenso diálogo com os estudos historiográficos pertinentes ao campo da pesquisa, no caso, da história social da escravidão e da rebeldia escrava. Certamente não é um trabalho fácil. Talvez por isso eu estude essa história há mais de três décadas e sempre descubro um aspecto novo e até mesmo posso reler as mesmas fontes em uma perspectiva mais complexa.

— Em diversos momentos, você sinaliza que determinadas reconstruções são hipóteses, recorrendo a expressões como “provavelmente”, “é possível que” e “deve ter ocorrido”. Como o historiador trabalha com essas lacunas documentais? 

Como disse ao me referir às reflexões de Marc Bloch e Walter Benjamin, é preciso fazer uma leitura criteriosa das fontes e contextualizar a sua produção, os agentes envolvidos, analisar os discursos normativos, as ausências, os silêncios e as lacunas. E isso se faz também confrontando e complementando as fontes. Nós historiadores tentamos explicar o passado com os testemunhos que chegaram até nós. E formular hipóteses e estabelecer ilações, mas sempre com fundamento e base historiográfica, teórica, metodológica e documental, constitui o nosso ofício. Talvez seja por isso que essa história continua a me surpreender, seja por suas lacunas, seja por outras novas descobertas de pesquisa e releitura das fontes e diálogo com a historiografia da escravidão. Muitas lacunas provavelmente não terei como responder, mas esse exercício hermenéutico fundamentado nos ajuda a pensar nos agentes envolvidos e como acalentaram seus projetos de liberdade, apesar de um fim tão terrível para dezenas deles, como foi no caso dos caramurus negros de Carrancas.

— No caso dos Caramurus Negros, essas lacunas decorrem principalmente da escassez de documentos produzidos na época ou de um processo de apagamento histórico relacionado aos sujeitos que você  estuda?

Estudar a história dos grupos subalternos é um enorme desafio. Mas é possível fazer uma história dos vencidos, dos povos dominados, como no caso dos escravos de Carrancas, através das fontes oficiais. Em relação aos caramurus negros, a documentação pode ser escassa em alguns aspectos, já que tratamos de fontes oficiais e da justiça, se pensarmos no principal documento do levante – o processo criminal, cuja partes principais abrem o livro “Caramurus Negros”. Nós historiadores sempre trabalhamos com um leque muito diversificado de fontes, e, pela busca dos nomes, por exemplo, é possível complementar as informações. No livro, essa metodologia está presente. Consegui encontrar novas informações sobre o líder Ventura Mina, através de um inventário e de um relato de um capitão da Guarda Nacional que atuou na repressão dos insurgentes. Também tem o caso emblemático do Rafael Crioulo que foi possível destrinchar em contraposição com os assentos paroquiais do batismo de sua filha e o seu interrogatório. Mais uma vez, a assertiva de Walter Benjamin constitui uma representação poderosa de como exercemos o nosso ofício. Para escrever a história dos oprimidos e marginalizados é preciso “escovar a história a contrapelo”. 

— Quais são os limites para a formulação de hipóteses na escrita da História? Até que ponto é legítimo imaginar cenários para preencher os vazios das fontes, sabendo que algumas dessas conjecturas podem não corresponder ao que de fato ocorreu? 

Sem dúvida alguma, os limites são muitos quando um historiador constrói uma determinada representação do passado, seja de um processo histórico, acontecimentos e/ou de  grupos sociais e sujeitos. Primeiro porque lidamos com lacunas o tempo todo e nenhum historiador em sã consciência tem a pretensão de reconstruir a totalidade da história de determinada sociedade, acontecimento, grupo social ou indivíduos. O que escrevemos é para ser debatido entre os pares e a sociedade. O que oferecemos para o meio acadêmico e a sociedade são resultados de pesquisas feitas com rigor metodológico, teórico e historiográfico, mas que são lacunares e  passíveis de crítica, inclusive quando não raras vezes cometemos equívocos e podemos rever as nossas leituras e interpretações do passado. Por isso cada geração reescreve a sua história com base no conhecimento acumulado das gerações anteriores. E é por isso que a pesquisa científica, o papel das universidades e a formação de novas gerações de historiadores e professores de história são de fundamental importância para a sociedade. Contribuem para a formacão crítica e cidadã e da consciência histórica, do direito a conhecer o passado, por mais violento e trágico que tenha sido, mas também dos projetos de liberdade, ainda que fracassados, como no caso dos caramurus negros de Carrancas.

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