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O xeque-mate de Jesus

Por Bruno Kaehler

27/11/2019 às 07h10 - Atualizada 26/11/2019 às 19h01

Não precisa ser flamenguista – meu caso – para saber que a Seleção que melhor representou mais brasileiros nesta temporada vestiu o vermelho e preto. Não apenas a que fez milhões de torcedores transbordarem de orgulho, como a de melhor e mais vistoso futebol. Encheu os olhos de Júnior, Adílio, Zico… assim como dos amigos flamenguistas da redação, eufóricos e naturalmente ansiosos semanas antes da final.

Se não faltou emoção, taticamente o duelo também foi dos inesquecíveis. O River Plate de Marcelo Gallardo fez mais do que eu esperava durante quase 90 minutos. Quase. Foi praticamente perfeito em sua estratégia. Praticamente.

Anulou Bruno Henrique, Gerson e cia. com uma marcação pressão sobre o portador da bola de exemplar sintonia e intensidade. Um rubro-negro recebia a bola e tinha poucos segundos para agir. Assim, quase não produziu na primeira etapa. Parecia encaminhar um bicampeonato homérico. Contudo, a partir da entrada de Diego, e depois, na saída do lateral Casco, somado ao cansaço argentino, fizeram do Flamengo ser o Flamengo. De 2019. Das jogadas de Jorge Jesus. Como em um tabuleiro.

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Em 2019, o Rubro-Negro não perdoa erros. É avassalador no campo ofensivo, povoado na segunda etapa. Foi agudo na transição e cirúrgico nos passes em velocidade, com a distribuição de Diego aos flancos, o crescimento de Éverton Ribeiro e a genialidade de Bruno Henrique. Talvez você não lembre, mas o empate quase veio aos 57 minutos, em jogada de Bruno Henrique pela esquerda e cruzamento rasteiro. Arrascaeta furou, Gabigol teve chute bloqueado por defensor e Armani defendeu chute de Everton Ribeiro.

O lance gerou confiança. Diego conduziu o time, que cresceu. E os gols não podiam ser de outro. Marrento, chato, imaturo, mas GabiGOL. Artilheiro. Uma final inesquecível para muito mais de 30 milhões. Uma temporada memorável, de futebol. De dribles. Bola no pé. Ofensividade. Gols.

Dois títulos comemorados tão intensamente que nos faz lembrar um dos poderes de uma das melhores invenções do homem: a alegria proporcionada pelo esporte. O futebol que tira crianças de rua; o futebol que disciplina; que educa; que comove. Uma religião. E que, quase sempre, premia boas gestões e o conhecimento. O futebol que respira. E que tem, nos detalhes, como no xadrez, potencialidades de mudar cenários até mesmo em uma final de Copa Libertadores.

Bruno Kaehler

Bruno Kaehler

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