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Amadorismo canário

Por Bruno Kaehler

16/10/2019 às 07h00 - Atualizada 16/10/2019 às 07h03

Nunca vou me esquecer de Ronaldo Fenômeno. Daquele estilo na Copa do Mundo de 2002. De Rivaldo. Cafu. Roque Júnior. Sim, Roque Júnior. De acordar para assistir, em qualquer horário, a Seleção Brasileira. Os atletas podiam jogar na Europa, no Brasil, na China. Pouco me importava. Tampouco o adversário. França ou Senegal; Argentina ou Nigéria. Tanto faz. Bastava ver a camisa amarelinha em campo – ou mesmo a azul, igualmente bonita e forte para mim – que, naquela época, era certeza de, na maioria dos jogos, superioridade, bom futebol, arte e entrega. Tecnicamente, destoávamos. Mesmo com um trio de zaga com Lúcio, Roque Júnior e Edmílson.

Queria ter visto Romário e Bebeto em 1994; Sócrates, Falcão, Zico e cia. em 1982; obviamente Pelé, Garrincha e tantas outras lendas. Para compensar, vídeos e livros aumentam a “saudade do que não vivi.” Mas tudo mudou. Com as evoluções táticas e físicas, são cada vez mais raras as jogadas plásticas, quebras de linhas com dribles, naturalidade artística, puro talento.

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E tecnicamente, possuímos, no mínimo, dois países à frente: França e Bélgica. Sendo otimista. Taticamente nem se fala, como foi possível observar nos inaceitáveis (em todos os sentidos) amistosos da última semana. Má gestão dos atletas convocados, tirando-os de seus clubes em fases-chave das competições para a disputa de diversos amistoso$ de adversários que pouco incomodam o Brasil ou simulam dificuldades em Copas do Mundo; mimos ao camisa 10, Neymar, que há tempos se destaca mais fora de campo, mesmo com potencial para ser o melhor do mundo; visível e até compreensível desinteresse de atletas – imagine correr o risco de perder a Liga dos Campeões por uma entrada de um jogador de Panamá.

A soma destes fatores ajuda a explicar o momento do selecionado. A equipe é forte individual e coletivamente. Mas o futebol mudou. O profissionalismo é necessário para ontem. Melhor atuar menos, contra grandes, do que jogar com Senegal, Nigéria, Panamá e Peru uma vez por mês e desfalcar equipes brasileiras para deixar atletas no banco. A competitividade aumentou. A atração do brasileiro à Seleção, não. O amadorismo? Este parece seguir.

Bruno Kaehler

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