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O esporte de JF não é para profissionais

Por Bruno Kaehler

14/07/2021 às 07h00 - Atualizada 13/07/2021 às 18h54

Difícil não se revoltar com uma notícia como a do JF Vôlei, trazida pela Tribuna na noite desta terça-feira (13), no site, e no impresso de hoje. Há uma possibilidade, que não é pequena, do único time profissional juiz-forano na elite de uma competição nacional – a Superliga masculina -, ser obrigado a desistir da vaga obtida de forma irreparável, dentro e fora de quadra, por falta de apoio da cidade.

Nem mesmo um título do tamanho de uma Superliga B parece comover o empresariado juiz-forano. Mesmo levando em conta as severas consequências da pandemia na região, essa notícia representa muito mais do que apenas uma possibilidade de desistência.

Se não há interessados em expor a marca em um projeto que tem como prioridade a inserção de centenas de jovens no esporte, afastando-os de maus caminhos e contribuindo com a formação educacional, física e psicológica de cada um, o problema pode ser o preconceito com a gestão do esporte em Juiz de Fora ao longo dos anos. Explica um pouco, mas não justifica.

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Não sou advogado de defesa ou assessor do JF Vôlei. Mas é um fato que não há, por exemplo, como comparar os valores das cotas de patrocínio do futebol com o vôlei.

Certamente escrevo triste também pela empolgação que criei em poder voltar a cobrir o JF Vôlei em um torneio com os melhores atletas e times do país – e até do mundo. Por isso, ainda me surpreendo negativamente – mesmo depois de a cidade não receber um jogo que fosse em toda a campanha vitoriosa, com mando em Contagem (MG), no Ginásio do Riacho. Somente o JF Vôlei não jogou em casa levando em conta as outras equipes de todo o Brasil.

Como a colega Juliana Netto defendeu em sua coluna há semanas, de fato a cidade não mostra estar preparada para o esporte. Poucos valorizam a importância e a capacidade transformadora de um projeto esportivo. E muitos têm condição, sim, de ajudar, mesmo que minimamente. Importante, aliás, não generalizar. Alguns apoiam, sim, pelas leis de incentivo estadual e federal, repassando taxas de impostos devidos, mas com valor que deve ser usado em projetos sociais, salários da comissão técnica, despesas com viagens, alimentação etc, sem poder destinar a verba ao salário dos jogadores, principal dificuldade das agremiações na cidade.

Sempre ouvi falar de pessoas, desgostosas com as gestões do esporte na cidade, que Juiz de Fora não era para amadores. Mas episódios como esse passam a mostrar que sequer é para profissionais. Que o tempo me faça profundamente enganado. E que o JF Vôlei confirme a vaga na Superliga tendo condições financeiras para tal.

Bruno Kaehler

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