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A força de Jacaré

Por Bruno Kaehler

13/11/2019 às 07h05 - Atualizada 13/11/2019 às 07h08

A força de vontade de Wesley Moraes Ferreira da Silva o fez deixar o Bairro Monte Castelo em busca do sonho mais popular dos amantes do esporte. Sem o pai desde os 9 anos, tem na mãe uma das maiores motivações. Na luta diária em campo, as negativas na Cidade do Galo e na Toca da Raposa certamente o fizeram crescer. O impulsionaram.

Wesley mostrou força em Juiz de Fora, na Bahia, na Espanha, Eslováquia e Bélgica. Desde que se transferiu para a Inglaterra, na maior transação da história do Aston Villa – 25 milhões de euros (cerca de R$ 105 milhões), passei a seguir o jovem jogador. Sim, jovem. Já venceu em tantos lugares e tem apenas 22 anos.

Para os mais próximos, Jacaré. Que além da força interior, ostenta 1,92m de altura e um físico privilegiado – herança de família, segundo o próprio. Autor de quatro gols pelo clube de Birmingham, uma equipe moldada para explorar os espaços a partir dos erros adversários, nos contra-ataques, vive período de adaptação à cultura e ao futebol mais disputado e intenso do mundo.

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No momento ofensivo, o centroavante tem características de um tradicional pivô de futsal. Na força, busca ganhar a primeira bola para a imediata distribuição aos flancos e corrida até a área rival, seu habitat natural. Tem boa presença no último terço. É importante nas bolas aéreas defensivas e pode ser mais agressivo na marcação alta – apesar de não ser algo comum no atual modelo de jogo do Aston Villa.

Ao mesmo tempo, possui um potencial de crescimento tão extenso quanto sua caminhada até aqui. Precisa e pode ser mais veloz, elevar a qualidade de suas finalizações. Usar suas valências físicas ainda mais ao seu favor.

Mas não veste a camisa da Seleção mais vitoriosa do planeta à toa. Até mesmo a Olimpíada pode o esperar. Que Wesley desfrute e aprenda com a camisa verde e amarela. E fico curioso para ver o atleta em uma equipe muito mais presente no campo de ataque do que seu clube. Será mais exigido e também, espero, participativo. Poderá mostrar seu arsenal – os Gunners, aliás, já sofreram com o juiz-forano, autor de um tento na derrota de 3 a 2 pela Premier League.

Goste ou não do futebol de Wesley, a partir de quando começar a acompanhá-lo, respeite a sua história. E a compartilhe. Ele é prova viva de que qualquer juiz-forano pode e deve sonhar alto. E precisa se espelhar na força de Wesley, o Jacaré de Juiz de Fora e da Seleção Brasileira.

Bruno Kaehler

Bruno Kaehler

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