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Mulher brasileira em primeiro lugar

Por Bruno Kaehler

12/06/2019 às 07h25 - Atualizada 11/06/2019 às 19h25

Não tenho dúvidas em dizer que em toda a minha vida como telespectador, torci mais pelo sucesso da Seleção Brasileira feminina do que a pentacampeã mundial. Até hoje não me conformo com o fato de atletas como Formiga, Cristiane e Marta não terem conquistado um título entre a Olimpíada e a Copa do Mundo – com três oportunidades batendo na trave.

Mais de uma década depois das medalhas de prata nas duas principais competições do futebol feminino no planeta, o Brasil ainda possui algumas das jogadoras mais talentosas do mundo. Ocorre que, neste ano, há uma diferença que me cria um pequeno pessimismo. Nas últimas partidas que vi – e incluo a estreia vitoriosa sobre a Jamaica, acompanhei uma equipe de individualidades.

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Sob o comando de Vadão – injustificável, em minha visão -, o Brasil é desorganizado coletivamente. Com a bola, consegue explorar a amplitude em um 4-2-4 por muitos momentos. Pode, diante do combate de uma linha de quatro defensoras, ser eficaz com jogadas de um contra um, por exemplo. No entanto, o aspecto defensivo é preocupante. O 4-4-2 sem a bola não tem sido compacto, tampouco sintômico. Contra uma equipe melhor organizada, uma evolução imediata será necessária. Eis meu pessimismo.

Não me torna, contudo, menos torcedor. Me atrevo a dizer que o sofrimento será, inclusive, maior. O momento, repito, é de Cristiane. De Andressa Alves, Formiga, Marta. De Bárbara. Mais que isso. É de cada mulher brasileira. De cada uma que foi à Praça Cívica da UFJF no domingo, que estará nesta quinta e que sabe que é muito mais que futebol. É de jogar para escanteio o machismo. E, acima de tudo, festejar a igualdade e o respeito. Afinal, como Benito Di Paula magistralmente eternizou em versos, “agora chegou a vez, vou cantar, mulher brasileira em primeiro lugar.”

Bruno Kaehler

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