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Queimando a língua

Por Bruno Kaehler

04/09/2019 às 07h06 - Atualizada 04/09/2019 às 07h07

Talvez, nesta vida, nada nos faz queimar a língua mais vezes do que o futebol. Gerson, Vanderlei Luxemburgo, Gilberto… a lista de profissionais no futebol que já fizeram minhas projeções irem por água abaixo somente neste Campeonato Brasileiro é extensa. São diversos os fatores que motivam essas surpresas nos rendimentos de atletas e treinadores que chegam em uma curva descendente e passam a construir, mesmo que ainda por pouco tempo, histórias atrativas aos torcedores.

No caso do meio-campista flamenguista, a manutenção de seu nível técnico casada à polivalência tem impressionado. De longe, este não é o Gerson que deixou o Fluminense, ou mesmo o que buscou sequência na Europa, sem sucesso. Suas valências táticas somadas à qualidade técnica rubro-negra e ao excepcional trabalho de Jorge Jesus fazem de Gerson peça fundamental na solidez de performances do time da Gávea.

A qualidade individual é ainda mais forte no caso do atacante Gilberto, do Bahia. Após acompanhá-lo no Vasco e no São Paulo, me surpreendi com sua qualidade física, posicionamento e capacidade de finalização. Claro que o trabalho coletivo de Roger Machado alimenta o atacante constantemente com o jogo pelos lados, terminando na busca pelo artilheiro tricolor, mas Gilberto tem marcado gols que poucos camisas 9 do país têm feito.

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Já na área técnica, Luxemburgo inicialmente me fazia pensar que o Vasco seria conduzido de forma retrógrada. De fato, discordo de algumas escolhas. Mas Luxa trouxe profissionais atualizados ao seu lado. E manteve a gestão de grupo com o respeito de seu currículo, mas também pelo feeling que possui ao diagnosticar as necessidades emocionais e táticas do elenco com facilidade. Por isso treina uma equipe inicialmente reativa, com atletas que se dão melhor aproveitando a velocidade dos atacantes a partir de erros adversários.

Não sei qual a próxima bobagem você, leitor, e eu, diremos ao projetar atuações em campo ou rotular jogadores e técnicos. Mas é certo que queimaremos a língua muitas outras vezes até dezembro – com prazer de opinar como especialistas que acreditamos, fielmente, ser. Meu candidato favorito? Mano Menezes. A troca no Palmeiras é incompreensível no ponto de vista tático – dois treinadores que prezam a consistência defensiva e possuem dificuldades na transição ofensiva com qualidade e variações.

Os próximos jogos do Alviverde – Goiás (fora), Cruzeiro (em casa), Fortaleza (fora) e CSA (em casa) – contribuem para que o torcedor volte a comemorar vitórias e se feche com Mano. Mas a tendência é, a médio prazo, de dificuldades parecidas com as atuais.

Bruno Kaehler

Bruno Kaehler

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