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Sejamos camaleões

Por Bruno Kaehler

01/04/2020 às 07h20 - Atualizada 31/03/2020 às 16h41

Acostumado a ler e escrever sobre futebol e tudo o que o envolve, carrego comigo a certeza de que uma trajetória no esporte não só reflete a maioria das situações de uma vida, mas dá exemplos e soluções práticas de como driblar diferentes tipos de crise. Afinal, não é só a prática de exercícios que faz do esporte um defensor diligente da saúde, física ou mental.

Também acostumado a falar de referências na área por aqui, gostaria de trazer uma das principais filosofias de Pep Guardiola para este momento de combate a uma inédita pandemia – em que o próprio já doou 1 milhão de euros (cerca de R$ 5,4 milhões) para ajudar a combater a disseminação do coronavírus na Espanha.

Um dos melhores técnicos do mundo não só na atualidade, como na história do futebol, o espanhol, em seu dia a dia, se envolve integralmente em cada meta que estabelece. Seja a família, o próximo jogo ou os títulos de uma temporada, Guardiola, além de se entregar ao objetivo, cresce com adversidades graças ao poder da adaptabilidade.

Conforme o jornalista Martí Peranau caracteriza o treinador em “Pep Guardiola: a evolução”, uma das obras de sua autoria sobre o espanhol, ele é um camaleão. E desde a época de jogador. Longe de ter um porte físico privilegiado, investiu na técnica e na inteligência, prevendo os movimentos naturais adversários e dos próprios companheiros antes mesmo de receber a bola. Evitava o combate físico, acelerava os jogos.

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Como técnico, se adapta a cada nova cultura, sempre conectado às suas ideias de jogo. Encurta o campo sem a bola e alarga quando a recupera. Estuda cada valência e deficiência dos adversários e produz treinos específicos para cada situação.

Apesar de o evento vivenciado no planeta ser obviamente muito mais sério e profundo que um duelo esportivo, ele exige a nossa adaptação. Desejo a você a humildade de reconhecer que o recolhimento, neste momento, é a base da estratégia para a vitória. Hoje, a economia é um jogo; a saúde é o campeonato. O Centro da cidade e alguns bairros seguem movimentados. Fique em casa.

A adaptação, em curto espaço de tempo, é necessária para minimizar o poder do vírus que já matou centenas em nosso país. Como um camaleão, precisamos ter uma visão em 360 graus. Ágeis e mutáveis. E sem perder o que deve ser a nossa essência, mesmo escondida em tantos: o amor ao próximo.

Como resume Victor Hugo, também segundo a obra de Martí Peranau, “quem conduz e arrasta o mundo não são as máquinas, mas sim as ideias.” Assim sejamos.

Bruno Kaehler

Bruno Kaehler

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