CAMPANHA PERMANENTE
O discurso político apontando ser cedo para começar a campanha presidencial tornou-se uma peça de ficção. Os pré-candidatos não fazem outra coisa senão articular suas bases e buscar aliados para o pleito do ano que vem. O senador Aécio Neves (PSDB) está há quatro dias em São Paulo tentando convencer os tucanos daquele estado a apoiá-lo. A presidente Dilma abre espaço para abrigar novos aliados, enquanto o governador Eduardo Campos se articula para seduzir o Sudeste. Candidata em 2010, a ex-ministra Marina Silva tenta viabilizar a Rede, nome de seu novo partido. Para o cientista político Paulo Roberto Figueira, o país vive o que alguns autores chamam de campanha permanente. Segundo ele, desde o primeiro dia de governo, quatro anos antes da futura eleição, um governante não toma uma só decisão sem levar em conta os impactos políticos futuros (algo que se potencializa em cenários com direito à reeleição), assim como um líder oposicionista não diz uma palavra sem calcular o quanto ela será ou não adequada para seu posicionamento estratégico na futura disputa.
Pontos comuns
Professor da UFJF, Paulo Roberto analisa o desempenho dos candidatos e percebe um ponto comum: estão em campanha. Dilma faz gestos no sentido de manter os partidos da base em torno de seu projeto (vide reforma ministerial), Aécio luta para unificar o PSDB, Campos tenta demonstrar que seria capaz de ampliar o leque de possíveis apoiadores, Marina trata de tentar organizar seu partido. Em todos os casos, enfrentam, aqui e acolá, dificuldades para cumprir esses objetivos, sustentou.
Tucanos resistem
Paulo Roberto observa cenários distintos entre os políticos. A presidente tem que lidar com o que ele classifica de problemas atávicos do gigantismo da coalizão que a sustenta, pois tem que conciliar interesses distintos, sem perder apoio. O senador Aécio Neves tem pela frente a refratária bancada paulista, liderada por José Serra, que ainda não se convenceu de sua candidatura. Enquanto Marina Silva articula seu novo partido, Eduardo Campos, na avaliação do professor, talvez seja o pivô da estruturação da disputa. Se sai candidato, aumentam as chances de segundo turno.
Para governador
Na presença de cerca de mil pessoas, entre filiados e simpatizantes do PMDB, o prefeito Bruno Siqueira foi festejado como o futuro do partido pelo então presidente estadual da legenda e agora ministro da Agricultura, Antônio Andrade, em encontro no último sábado, em Muriaé. O Bruno tem todas as chances de ser governador de Minas Gerais, discursou Andrade, ao abrir evento organizado pelo empresário Élder Abreu, pré-candidato a deputado federal.
PMDB de Minas
Estiveram presentes, além do prefeito e do ministro, o então vice-presidente peemedebista, Saraiva Felipe, e os deputados Ivair Nogueira, João Magalhães e Tadeuzinho Leite. De Juiz de Fora partiu caravana de 20 peemedebistas da Executiva local e do PMDB Jovem. Já de posse das novas funções, ontem, Antônio Andrade se licenciou oficialmente do cargo de presidente do PMDB mineiro. No seu lugar, assumiu Saraiva Felipe, que foi ministro da Saúde no Governo Lula.
