Trafegando já em grande velocidade pelos bastidores, a discussão sucessória começará a sair do papel na primeira semana do mês que vem, tão logo passe a Semana Santa. Este foi o prazo dado por alguns partidos para colocar as cartas na mesa a dar os primeiros passos em torno de eventuais alianças. O ex-prefeito Tarcísio Delgado, em entrevista à Tribuna – veja na página de política -, dá as primeiras pistas sobre o que pretende fazer e o que espera do PMDB. Mesmo dizendo que não é candidato, sabe do seu papel e também das próprias dificuldades. Afastado do partido por moto próprio, anuncia seu retorno, mas há quem lembre que ele pode encontrar um partido diferente, no qual o respeito à sua história política prevalece intacto, mas com um sentimento de não submissão sem debate. Teria ele a maioria? Essa dúvida só será sanada no decorrer das conversações.
COMEÇA O DEBATE
Abraço, não
Tarcísio não explicita o seu projeto, mas uma possibilidade é abrir caminho para a candidatura de seu filho, o deputado Júlio Delgado, filiado ao PSB. E aí há dois problemas: uma corrente do PMDB, hoje, aposta na candidatura do deputado Bruno Siqueira e não estaria disposta a abrir mão em favor de Júlio. O outro é qual argumento Tarcísio apresentará para abrir mão da chapa própria para ceder a cabeça ao PSB, em Juiz de Fora, bem menor do que o PMDB? A única certeza é que não há espaço para os dois se candidatarem ao mesmo tempo, sob o risco de praticarem o abraço de afogado.
Desgaste
No Governo, sabe-se perfeitamente do desgaste que as obras da Avenida Rio Branco causam na imagem do prefeito Custódio Mattos, mas a aposta é de que, na conclusão, prevista para o final de maio, o processo comece a ser revertido. Uma liderança política que acompanha a cena à distância, mas conhecedora dos bastidores da cidade, observa que o prefeito será protagonista na campanha, uma vez que tem estrutura, vital em qualquer projeto. Apostar só no seu desgaste é temerário, pois o eleitor costuma se posicionar de acordo com o momento, e não com tanta antecedência.
Poder age
Para ilustrar o comentário, esse mesmo analista observa que, em período semelhante, o governador Antonio Anastasia tinha apenas 3% da preferência dos eleitores, enquanto o senador Hélio Costa nadava de braçada nas pesquisas. Foi só a máquina começar a se movimentar para a situação se inverter. A máquina também operou na eleição em Belo Horizonte, há quatro anos. Mesmo com apoio do Partido dos Trabalhadores e do PSDB, o socialista Márcio Lacerda só virou o jogo – no segundo turno -, contra Leonardo Quintão (PMDB), quando a máquina começou a se mover em seu favor.
Audiências
Duas audiências públicas encerram esta semana o ciclo de março. A primeira está prevista para amanhã, a pedido do vereador Isauro Calais (PMN), para tratar das questões relativas ao esporte na cidade e da Lei Mário Helênio de Incentivo ao Esporte. A última, por requerimento dos vereadores Wanderson Castelar (PT) e Chico Evangelista (PP), vai ocorrer na terça-feira. Em pauta, as enchentes no Bairro Industrial e adjacências. A meta é fazer um diagnóstico da região e avaliar projetos e recursos para resolver o problema recorrente do período das chuvas.
