Uma pesquisa encomendada ao Ibope pelo jornal Estado de São Paulo indicou que, pela primeira vez desde 1988, o número de brasileiros que se declara apartidário superou o de pessoas que afirmam ter preferência por alguma legenda política. A perda de simpatizantes ocorreu em todas as agremiações. Há menos petistas, tucanos, peemedebistas, democratas e pedetistas do que há cinco anos, diz o jornal. Os números chamam a atenção, mas não são de graça. Na avaliação do cientista político Diogo Tourino, alguns elementos merecem destaque, lembrando a tese de doutoramento do também cientista político Paulo Roberto Figueira, na qual ele aponta que o único partido que tinha efetivamente representatividade era o PT. O fato de as pessoas estarem filiadas não significa que elas compactuam com determinada orientação ideológico-partidária; em segundo lugar, creio que hoje assistimos ao surgimento de outras formas de representação que tendem a deslocar os partidos de seu protagonismo. Diogo ressalta, porém, que não se trata, embora pareça, de uma crise, pois foi assim no passado, quando a representação deixou de ser direcionada aos notáveis, como na Inglaterra do início do século XIX, e passou para os partidos.
PERDA DE PRESTÍGIO
Ainda precisa
Professor da Universidade Federal de Viçosa, Diogo Tourino admite que a política, como um todo, esteja sendo afetada pelo modo rebaixado com que alguns de seus elementos vêm lidando com ela. Ele destacou os casos de corrupção e a inapetência dos próprios políticos em enfrentar questões cruciais, hoje de sua prerrogativa, deixando-as para esferas contramajoritárias, como é o caso do STF. Ele aponta o surgimento de outros canais, como a internet, mas enfatiza que precisamos de partidos numa democracia, até que me provem o contrário.
Vota no filho
O ex-prefeito Tarcísio Delgado foi convidado e acabou entrando no debate sobre a eleição para a Mesa Diretora da Câmara, na qual seu filho, deputado Júlio Delgado, é um dos candidatos, mas por provocação do seu adversário, Henrique Eduardo Alves (PMDB). Em encontro com deputados, Henrique teria dito que Tarcísio, de quem foi liderado nos anos 1990, se ainda estivesse na Câmara Federal, votaria nele, e não no filho. A resposta, que acabou sendo nota nos principais jornais do país, como a Folha, foi dada por Tarcísio já no sábado, em seu blog.
Dos autênticos
Disse Tarcísio: fui líder da bancada do PMDB, amplamente majoritária, na Câmara dos Deputados, como representante dos autênticos do partido, no início da década de 90. O atual candidato à presidência, Henrique Alves, sempre foi do grupo dos moderados, nossos adversários na disputa partidária. Soube que ele afirmou em reuniões que, se eu estivesse na Câmara, votaria nele. Claro que isso não corresponde à verdade. Eu votaria no Júlio, por todas as razões. Júlio é jovem, competente e compromissado com os princípios morais e éticos que recebeu do berço.
Relator
Ontem, pela internet, a qual tem feito de principal via para trafegar as informações de sua candidatura, o deputado Júlio Delgado voltou a fazer uma comparação entre as suas e as ações do seu adversário Henrique Alves. Na Câmara, fui relator de vários processos que colocam minha imagem acima de qualquer título de prova e me qualificam à presidência da Casa. Se referia não apenas ao trabalho desenvolvido na Comissão de Defesa do Consumidor mas, principalmente, à cassação do ex-ministro José Dirceu, em processo no qual atuou como relator.
