DEMANDA REPRESADA
Os eventos dos últimos dias, levando milhares de jovens às ruas de todo o país, vão provocar novos estudos sobre o uso da internet e seus efeitos na sociedade contemporânea. Alguns analistas contentam-se em justificar o fenômeno nas causas represadas como tarifas do transporte público, leniência dos partidos, corrupção e ações homofóbicas, mas, nos meios acadêmicos que tratam dos fenômenos sociais, a leitura é mais ampla. Em entrevista à Assessoria de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora, o professor Wedencley Alves observa que a principal demanda dos jovens que participam do movimento é a necessidade de ser ouvido. No atual cenário, os jovens ou são criminalizados (os pobres) ou medicalizados (classe média). O espaço de constituição de sujeito do discurso é mínimo. Isso vai produzindo uma demanda em expansão até chegar a uma reação em cadeia, graças à expressividade represada. Também da Faculdade de Comunicação, a professora Iluska Coutinho observa que as redes sociais estão sendo mais eficientes que as mídias tradicionais.
Bastidores
Nos bastidores da Câmara e da Prefeitura, a aprovação do requerimento do vereador Chico Evangelista pedindo a redução de tarifa, sem que anexasse qualquer estudo nesse sentido, foi vista como uma ação oportunista, mas também um vacilo da base governista, que não percebeu a dimensão do gesto. Já os estudos do vereador Rodrigo Mattos foram vistos como demagógicos, uma vez que o vereador, tendo sido do Governo nos últimos quatro anos, nunca teria se interessado em fazer tal redução na gestão do então prefeito Custódio Mattos, seu pai. O requerimento foi encaminhado ontem ao Governo.
Vai votar
O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, antecipou seu retorno da viagem à Rússia, e, ainda em Moscou, anunciou que vai colocar em votação a PEC 37, que retira poderes de investigação do Ministério Público. Ele vai ignorar apelos da própria base governista de adiar a votação até que haja acordo entre as partes, e garantiu que, havendo manifestação ou não nas ruas, é melhor discutir e votar do que adiar a questão. Pelas redes sociais, estão sendo marcados protestos contra a proposta, inclusive em Juiz de Fora, a partir do Parque Halfeld, para amanhã.
Segurança
Foi adiada a audiência pública programada pela Assembleia Legislativa para hoje em Juiz de Fora, que discutirá a cooperação entre órgãos de segurança dos dois estados, uma vez que a cidade, por ser de fronteira, recebe um grande fluxo migratório. Seria uma oportunidade inédita de estados vizinhos conversarem sobre a possibilidade de estabelecerem políticas públicas na área de segurança. Sabemos que parte das drogas que chegam do Rio de Janeiro passa por Minas, e que assaltantes cariocas migram para nosso estado, disse o deputado João Leite. Uma nova data ficou de ser agendada.
Sem teto
A forte cerração que ocorreu ontem em Juiz de Fora pregou uma peça nos deputados da Comissão de Meio Ambiente que fariam visitas de inspeção a indústrias da cidade. O Aeroporto da Serrinha ficou fechado, e o voo foi cancelado. Com pauta lotada, os deputados terão que achar nova data, uma vez que tinham programado visita com fins semelhantes para outros municípios. A comissão está verificando demandas ambientais em vários municípios. Neste caso, foi a falta de teto. O adiamento da segurança ocorreu por conta da agenda dos deputados do Rio, que não bateu com a dos de Minas.
