QUEM PERDE MAIS?
A decisão da Comissão Parlamentar de Inquérito que apura o envolvimento do contraventor Carlinhos Cachoeira com políticos e com a construtora Delta, tirando do foco parlamentares, governadores e a própria direção da empresa, não chega a surpreender, pois, mais do que a simples investigação, há também o viés político em torno das próximas eleições, sobretudo, as de 2014. No entendimento do cientista político Paulo Roberto Figueira, da UFJF, o fato de haver eleições este ano, mas com algumas disputas que têm clara influência no jogo nacional, como São Paulo, talvez seja um forte indutor de que haja alguma contenção na abrangência das investigações. Para ele, parece estar se delineando uma indicação de que, sobretudo no campo governista, não interessa ampliar demais o foco das investigações. Num cenário amplo, seriam muitas as indagações, principalmente em torno da aliança que dá sustentação política à presidente Dilma. Quais seriam, por exemplo, as consequências, na aliança nacional com o PMDB, caso o governador Sérgio Cabral, um dos peemedebistas mais próximos do Governo federal fosse seriamente comprometido nas apurações sobre suas relações com a Delta? Trata-se de uma indagação que se faz dentro e fora do Congresso.
Limitação
Paulo Roberto aponta que a questão não se esgota no governador. Os congressistas devem também estar avaliando as repercussões se a CPI caminhar para investigar as relações da Delta com todos os governos municipais. Enfim, há indícios de que talvez interesse ao campo majoritário da CPI limitar as apurações a Cachoeira e a Demóstenes, em função dos problemas políticos que adviriam de uma ampliação do escopo de investigação – talvez até para governos aliados que ainda não foram sequer mencionados.
Nos táxis
O vereador José Emanuel (PSC) comemorou ontem a regulamentação de projeto de sua autoria sobre os táxis. A norma prevê o uso de um instrumento conhecido como bigorrilho, colocado acima da sinalização que identifica o veículo como táxi. A cor vermelha indica a ocupação do carro, enquanto a verde estabelece que ele está livre. Quando as duas estiverem ligadas, o veículo pode estar envolvido em algum tipo de emergência. Hoje, adota-se o pisca-alerta para agilizar o atendimento, mas as cores ligadas simultaneamente chamam mais a atenção.
Sem prestígio
O presidente da Câmara, Carlos Bonifácio (PRB) repudiou ontem o tratamento dado à Câmara na inauguração da Codeme, por nenhum representante do Legislativo ter sido chamado para compor a mesa de autoridades. Não preciso ficar perto de governador, de prefeito, de empresário, nada disso, mas tem que haver respeito por esta Casa, não só na hora em que querem que aprovemos os projetos de interesse deles. Ainda lembrou que, na inauguração da nova planta da Mercedes, a Câmara foi desconvidada da cerimônia, da qual participou o governador Antonio Anastasia (PSDB).
De penetra
Nesse ponto, o vereador Wanderson Castelar (PT), que foi à solenidade, contou que só ficou sabendo do desconvite depois. Fui de penetra. Mas só fiquei sabendo que estava de penetra muito tempo mais tarde, quando o vereador Julio Gasparette me contou. O episódio, como ontem, também rendeu protestos, mas outros segmentos também ficaram fora do evento na Mercedes, inclusive do Executivo e do setor empresarial. O argumento é que num outro momento haveria uma visita especial para os demais convidados. O convite ainda não veio.
