VOZ DAS RUAS
As manifestações que grassam pelo país afora, inclusive em Juiz de Fora, são resultados de problemas concretos, como transporte público e outras demandas que estão sendo levantadas pelos movimentos. Segundo o cientista político Paulo Roberto Figueira, tentar desqualificar é um equívoco. "É preciso, primeiro, ressaltar a legitimidade das manifestações, que têm cumprido um importante papel de agendar discussões públicas que precisam ser feitas com maior intensidade. Quando se tenta deslegitimá-las por suposta infiltração de forças políticas, esquece-se do fato que questões que mobilizam as pessoas nas ruas são objetivas, concretas. Ou alguém de fato acha que o transporte público no país está bem organizado e atende adequadamente à sociedade?" No entendimento do professor, é necessário aprofundar o debate sobre as prioridades orçamentárias do país nesse contexto atual de eventos esportivos internacionais, numa clara alusão ao caso da Copa das Confederações, no qual não faltou denúncia de excesso de gastos, com orçamentos estourados, enquanto áreas como a saúde e segurança vivem de pires na mão buscando mais verbas.
Insatisfação
A presença de partidos políticos não surpreende e nem incomoda o cientista político Paulo Roberto Figueira. Para ele, é natural que assim seja, o que não tira a legitimidade dos protestos. "Seria um equívoco imaginar que apenas interesses políticos de alguns poucos pequenos partidos pudessem criar essa mobilização por todo o país: ela é fruto de uma insatisfação real de parcelas importantes da sociedade com questões concretas da vida social brasileira", enfatizou.
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Professor da Faculdade de Comunicação da UFJF, Paulo Roberto Figueira não vê ligação entre as vaias à presidente Dilma, na abertura da Copa das Confederações, e os episódios especialmente de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, nos quais a polícia agiu duramente, com força desproporcional ao que estava ocorrendo. Lembrando que o ex-presidente Lula também já foi vítima, ele observa que "o país, de modo geral, é muito irreverente e desconfiado das autoridades do mundo político, o que se traduz frequentemente em vaias". Para ele, Dilma continua popular e favorita para a eleição de 2014.
Repercussões
Os protestos que se espalham pelo país afora certamente terão repercussão em várias ações de Governo, sobretudo das prefeituras que ainda não definiram o reajuste de suas tarifas do transporte coletivo, como é o caso de Juiz de Fora. Embora o Executivo, oficialmente, não tenha se manifestado, é mais provável que a discussão tenha novos prazos, a fim de não aguçar ainda mais os movimentos. Os empresários do setor têm argumentado que já passou da hora para o reajuste, já que não suportam mais os custos, mas as instâncias políticas acham temerário colocar a questão na pauta agora.
Hospital
O Consórcio Waldemar Polizzi (CWP), de Belo Horizonte, venceu o processo de licitação para a conclusão do Hospital de Urgência e Emergência, na Zona Norte. A empresa será responsável pela conclusão da obra que foi iniciada em 2010. Os trabalhos foram interrompidos por conta de crise financeira da antiga empreiteira, que não conseguiu cumprir o contrato. Com a nova licitação, orçada em R$ 63,7 milhões, a Secretaria de Estado da Saúde espera inaugurar o empreendimento em meados de 2014.
