DISCURSO ÚNICO
O discurso pela unidade foi a palavra de ordem no encontro de ontem realizado na Escola de Governo, tendo o prefeito Bruno Siqueira como anfitrião. Deputados e prefeitos manifestaram suas preocupações com o desenvolvimento da região e defenderam ações conjuntas para reverter o quadro. Afinal, lembraram, a Zona da Mata já foi uma das mais ricas do estado, entrando, depois, num ciclo de estagnação. Tanto o prefeito de Juiz de Fora quanto os demais convidados observaram que só o crescimento integrado vai mudar a situação da região. Por isso, na carta a ser enviada ao governador Antonio Anastasia e à presidente Dilma Rousseff cobram investimentos. Como o evento de ontem foi suprapartidário, tendo a presença de governistas e oposição, acredita-se que os textos terão receptividade tanto em Brasília quanto em Belo Horizonte.
Pela região
Com a presença de 43 prefeitos, o evento de ontem também teve a participação dos deputados federais Margarida Salomão (PT), Júlio Delgado (PSB) e Reginaldo Lopes (PT), que se propuseram a participar dos esforços da região. O tucano Marcus Pestana, presidente regional do PSDB, estava em Brasília, às voltas com a convenção nacional, hoje, mas foi representado por seu assessor José Maurício Arantes Braga. O documento com as reivindicações da região deve ser encaminhado às autoridades já na semana que vem.
Primeiro passo
O senador Aécio Neves será eleito hoje presidente nacional do PSDB em convenção marcada para Brasília e que deverá ter, inclusive, a presença do ex-governador José Serra, tido como uma pedra no sapato do parlamentar mineiro na caminhada para disputar a Presidência da República. Aécio, a partir da posse, terá como próxima etapa consolidar a sua candidatura, mas tudo vai depender dos próprios discursos proferidos hoje. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, embora tenha um tom mais ameno, também não sai do muro.
No muro
Para Alckmin, o PSDB só deve pensar em candidatura a partir de novembro. Mas fala isso pensando apenas no próprio projeto de reeleição, pois, se colocar a sucessão em campo, terá que fazer o mesmo em São Paulo, abrindo o flanco para seus adversários. Já Serra é uma incógnita. Deve defender a unidade do partido e até elogiar Aécio como presidente do diretório, mas dificilmente vai dizer que ele é o nome para enfrentar a presidente Dilma Rousseff. Apesar de todo o desgaste, Serra e seus aliados ainda acham que ele tem espaço para ser o nome tucano nos palanques.
Articulações
Até ontem, o senador Aécio Neves negociava a formação da chapa. Disposto a se conciliar com os tucanos paulistas, admitia ceder a secretaria-geral, hoje com o ministro Rodrigo Castro, e até mesmo a vice-presidência, ora com o ex-deputado Alberto Goldman, um dos aliados de Serra. Mas há segmentos importantes que entendem que Aécio tem que endurecer o jogo, sob o risco de ficar refém de São Paulo num momento em que os demais diretórios estão dispostos a mudar de ares, com um líder que não dependa tanto da maior seção da legenda.
