SOB PRESSÃO
O senador Aécio Neves deve mudar sua postura política após o recesso parlamentar, assumindo uma oposição mais ostensiva ao Governo no Congresso, a fim de ganhar evidência e tornar-se nome natural da oposição para a Presidência da República. De acordo com o jornalista Josias de Souza, da Folha de São Paulo, ontem em seu blog, a própria direção nacional vai cobrar do senador a formalização de seu nome, pois não vê mais sentido no surrado argumento de que há outros nomes no páreo, como o do ex-governador José Serra. Como bola da vez, o político mineiro tem que se apresentar mais para discussões críticas, em vez de uma postura mais amena, como ocorreu no caso do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, que dele não recebeu nenhum protesto mais forte. Serra, entendem os próprios tucanos, deve, sim, disputar a Prefeitura de São Paulo, pois, dos nomes apresentados até agora, nenhum mostrou ser páreo para o ministro Fernando Haddad, candidato a ter apoio total do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff.
Após Momo
Até o carnaval, ainda será possível segurar as discussões, mas os partidos já estão definindo seus nomes e estratégias de campanha e sanando dúvidas, como ora ocorre em Belo Horizonte, onde parte do PT ainda resiste a apoiar a reeleição do prefeito Márcio Lacerda, por causa da aproximação deste com os tucanos. Mas o PT também sabe que, se ficar fora da aliança, corre o risco de perder até o que tem na estrutura municipal de uma das mais importantes cidades do país, considerada estratégica para as eleições presidenciais de 2014.
Nome próprio
O impasse na capital, no entanto, ainda está longe de acabar. O grupo liderado pelo vice-prefeito, Roberto Carvalho, passou a manhã de ontem recolhendo assinaturas para um abaixo-assinado contra a aliança, pregando a candidatura própria à prefeitura, sendo ele um dos nomes mais citados para a disputa. Carvalho conta ainda com um entendimento com o PMDB, mas, nesse caso, a discussão muda apenas de legenda, pois os peemedebistas também estão dispostos a ter candidato próprio. E o PT, se topar a união, ficaria, de novo, com a posição de vice.
Pelo avesso
Classificando-se como um peemedebista permanente, o ex-prefeito Tarcísio Delgado explicitou seu descontentamento com a postura do PMDB nacional, que está acolhendo a filiação do senador Clésio Andrade. Em seu blog, Tarcísio lembra a sua condição de membro do grupo fundador da legenda, em 1966, para dizer que o PMDB deixou de se preocupar com a qualidade para dar valor somente à quantidade. O partido que negou filiação a Jânio Quadros, por considerá-lo pernicioso, hoje se vangloria com a filiação de Clésio Andrade e a posse de Jáder Barbalho. Virou a ética pelo avesso.
Dilema
A crítica à direção nacional não implica em abandono do navio, pois, em outras ocasiões, também se posicionou contra algumas atitudes. Amigo de Michel Temer, Tarcísio tem mais dificuldades com o PMDB estadual, sobretudo em função da campanha no estado, quando seu nome foi colocado e retirado da lista de candidatos ao Senado. As atenções se voltam para sua posição em Juiz de Fora, onde tem o filho, deputado Júlio Delgado (PSB), como potencial candidato a prefeito, e o deputado Bruno Siqueira na mesma situação. Este, porém, é do seu partido, do qual diz ser filiado permanente.
