GESTOS POLÍTICOS
O gesto do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores, optando pela oposição ao Governo Bruno, do PMDB, pode ter desdobramentos mais adiante, uma vez que, sendo os dois partidos aliados na instância nacional, entende-se que não há espaço para confronto na base, sobretudo em cidades do porte de Juiz de Fora, nas quais as eleições não têm o viés maniqueísta dos pequenos municípios. O prefeito eleito, Bruno Siqueira, reagiu com tranquilidade à decisão, mas pessoas próximas teriam admitido que ficaria difícil, nesses termos, reproduzir a aliança em 2014, pois terá o PT como oposição. Ele não abordou o possível convite ao vereador Flávio Cheker, que, em tese, está impedido pelo partido de aceitar – sem riscos – participar da próxima administração, mas se de fato ocorrer esse impedimento, o próprio grupo ligado ao vereador terá discurso para avaliar a situação em Juiz de Fora. Em entrevista à Tribuna, no último domingo, ele se mostrou contra uma oposição sistemática ao futuro prefeito. O PT disse que vai se opor programaticamente, mas poucos apostam nessa possibilidade.
Quer aliança
Ao contrário do PT, o PSDB vê uma proximidade com Bruno como moeda para 2014. Na reunião do diretório municipal, na última sexta-feira, que reuniu cerca de 70 filiados, o deputado Marcus Pestana pregou apoio ao Governo peemedebista, advertindo que não dá para ficar em cima do muro. O vereador Rodrigo Mattos chegou a ponderar que não faz sentido submeter o partido às ordens do PMDB, no que foi alertado para a importância da aliança. Pestana lembrou que os tucanos já fizeram isso em Belo Horizonte, quando apoiaram o socialista Marcio Lacerda, reeleito em outubro.
Incoerência
Embora não tivesse ocorrido qualquer votação para definir o que fazer, boa parte dos tucanos considera incoerente o partido ser oposição ao prefeito eleito, Bruno Siqueira, após o senador Aécio Neves e o governador Antonio Anastasia terem lhe dado apoio no segundo turno. Pestana ousou dizer que o PSDB só deve pensar em voltar à Prefeitura em 2018, não vendo problemas na aliança com o PMDB por oito anos. Marcio Lacerda vai para o segundo mandato e, na segunda eleição em Belo Horizonte, manteve o apoio tucano, distanciando-se do PT, que se desligou da aliança de 2008.
Vai participar
O prefeito Custódio Mattos, que deve comparecer ao diretório para abordar sua gestão, mostrando as ações de seu mandato, disse que não ficará alheio ao processo do diretório municipal. Em entrevista que a Tribuna publica hoje, ele diz textualmente que não vai renunciar à vontade de participar. Para mim, a vida não faz sentido se eu não participar. Mas não sei como vou participar. Pela primeira vez na história do PSDB, há divisões locais, como havia em outros partidos. Divisões significativas, que temos que dar conta do que fazer com isso. Pretendo continuar como cidadão e militante.
Nova lista
Algumas luzes devem ser jogadas na discussão, esta semana, não apenas com os desdobramentos das reuniões tanto de petistas quanto de tucanos na semana que terminou como também por conta da nova lista de secretários que o prefeito eleito, Bruno Siqueira, deve anunciar esta semana. Embora não seja a última, pode conter surpresas, já que, desta vez, embora haja nomes técnicos, provavelmente irá anunciar também os secretários de formação política que farão parte de seu primeiro escalão. Haverá petistas e tucanos na nova lista? Esta será a grande questão.
