Os 30 anos da implantação da Nova República passaram em branco em vários fóruns de discussão, mas houve lembranças. Deputado federal a partir de 1974, quando chegou à Câmara pela primeira vez, o advogado Sílvio Abreu Júnior, em entrevista à Rádio CBN Juiz de Fora, lembrou o ciclo de articulações que se desenvolveu até a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, no dia 15 de janeiro de 1985, vencendo o paulista Paulo Maluf. “Foi um período de conspirações nos bastidores, pois era preciso entendimento com os governadores, inclusive alguns ainda adeptos do regime militar”, lembrou. Sílvio era secretário de Interior e Justiça do Governo de Tancredo Neves, mas, como os demais parlamentares, se licenciou do cargo para votar no Colégio Eleitoral. Como um dos interlocutores do governador, teve missões especiais, como convencer os arenistas Hugo Napoleão, governador do Piauí, e Roberto Magalhães, governador de Pernambuco. “Fui a diversas reuniões com eles como mensageiro de Tancredo, e o resultado foi extremamente positivo, pois ambos aderiram à causa nacional.” Hoje, afastado da política, Sílvio Abreu destaca que o clamor nacional em nome do estado de direito foi a grande motivação para a retomada da democracia.
