Traçando cenários
Embora haja consenso na percepção dos políticos de que o processo sucessório está surpreendentemente atrasado nos municípios, em função, sobretudo, dos acontecimentos de Brasília e da economia, as conversações, agora, começam a andar. Ontem, entre uma garfada e outra, durante almoço em um restaurante da cidade, o presidente do PSDB municipal, Rodrigo Mattos, e o deputado Marcus Pestana concluíram que não haverá cisão interna do partido no pleito de outubro. Estarão juntos, tendo a unidade da legenda como um dos fatores de articulação com outros partidos. Com cabeça de chapa ou vice, os tucanos estão convencidos de que estarão na chapa majoritária que vai disputar a Prefeitura. Quanto aos nomes, no encontro de ontem, fizeram um autêntico mapeamento do cenário local, mas ainda haverá muitas conversas, inclusive em Belo Horizonte. Pestana antecipou que o único dado já definido será a polarização contra o Partido dos Trabalhadores.
Mais reuniões
As próximas conversas, antecipadas por Pestana e, um dia antes, pelo próprio Rodrigo Mattos, vão envolver o ex-prefeito Custódio Mattos e o advogado Vítor Valverde, do PDT, que tem se movimentado em torno do projeto em que pode ser ele o candidato com apoio de várias legendas. Ele também está na agenda de Rodrigo e de Pestana. Entre uma reunião e outra, a preocupação também se volta para a formação da chapa de candidatos a vereador. Com a abertura da janela partidária, a partir da semana que vem, as listas definidas em outubro do ano passado podem passar por alterações, já que alguns vereadores ainda não fecharam definitivamente com suas atuais siglas.
Pela janela
A Câmara volta às reuniões na semana que vem, na mesma data em que a janela será aberta pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, salvo algum contratempo. Com exceção Vagner de Oliveira, que já anunciou sua transferência para o PSC de Noraldino Júnior, ainda há quadros indefinidos. A vereadora Ana Rossignoli, como o Painel apontou ontem, é cobiçada por vários partidos, não devendo fechar o ano no PDT. O mesmo destino deve ter seu colega de legenda José Fiorilo. Ele tem revelado preocupação com a formação da chapa de vereadores e do risco de não se alcançar o quociente eleitoral. Oliveira Tresse também pode sair do PSC.
Salvação da lavoura
A coligação será a principal alternativa para as legendas de menor porte. Com o eleitor cada vez mais infenso à política, os partidos terão que correr atrás dos votos necessários para eleger quadros da Câmara, e nem todos têm potencial para isso, salvo quando fazem composições com outras siglas. Como a reforma política acabou mantendo essa prerrogativa, as negociações em curso não envolvem apenas nomes, mas também projetos em comum, e a coligação tem sido a salvação da lavoura. Sem elas, muitos estariam fadados ao desaparecimento por não eleger deputados ou vereadores e sem margem de barganha na fase posterior ao pleito.
